06/08/2015
04/08/2015
...
Voyelles
A noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu : voyelles,
Je dirai quelque jour vos naissances latentes:
A, noir corset velu des mouches éclatantes
Qui bombinent autour des puanteurs cruelles,
Golfes d’ombre ; E, candeurs des vapeurs et des tentes,
Lances des glaciers fiers, rois blancs , frissons d’ombelles;
I, pourpres , sang craché, rire des lèvres belles
Dans la colère ou les ivresses pénitentes;
U, cycles, vibrementes divins des mers virides,
Paix des pâtis semés d’animaux, paix des rides
Que l’alchimie imprime aux grands fronts studieux;
O, suprême Clairon plein des strideurs étranges,
Silences traversés des Mondes et des Anges:
― O l’Oméga , rayon violet de Ses Yeux!
Arthur Rimbaud, 1871
RIMBAUD, Arthur. Poésies complètes. Paris: Librairie Générale Française, 2009.
CAMPOS, Augusto. Rimbaud Livre. São Paulo: Perspectiva, 1992. Programação visual: Augusto de Campos e Arnaldo Antunes (Col. part.).
Escreve João de Deus:
Quer-se aprender a ler? Por onde se há-de começar, por letra manuscrita ou tipográfica?
A grande multiplicadora da palavra é a imprensa; de certo que pela letra tipográfica. Que letra, redonda, grifa ou gótica? Decerto pela mais frequente, que é a redonda. Mas, todo o abecedário é duplo: maiúsculo ou minúscula? Pela mais frequente, que é a minúscula. E todo o alfabeto minúsculo ao mesmo tempo? De que servem a um principiante 25 letras? Não só do que servem; como se aprendem 25 letras? Se em cada dia me mostrarem uma letra, em 25 dias posso saber 25 letras; mas, se em 50 dias me mostrarem simultâneamente 25 letras, é mais do que provável que eu não chegue a distinguí-las todas.
Logo, dessas 25 letras, escolham-se as principais. As principais são as vogais.
E poderemos nós com essas, formar palavras ou exprimir ideias ou sentimentos?
Podemos: com a, e, i, o, u, podemos formar ai, ui, eu, ía.
Pois bem, seja essa a nossa primeira lição.
Restam-nos as consoantes. Havemos de nós ir pelas consoantes fora, b, c, d, etc.? Mas 7 não têm um valor independente, isto é, não têm uma pronúncia apreciável em separado. B chamamos-lhe bê, como se podia chamar Bernardo, mas o que ela significa é os lábios pegados
Manuel Laranjeira
24/07/2015
20/07/2015
I...
I
«Regardez-moi,
voyons... J'aime la coleur de vos yeux...Comment vous appelez-vous?
–
Jean
–
Jean tout court?
–
Jean Gaussin.
– Du
Midi, j'entends ça.... Quel âge?
–
Vingt et un ans.
–
Artiste?
–
Non, madame.
– Ah!
Tant mieux.... »
Alphonse
Daudet, “Sapho”, pp. 5-6, C. Marpon et E. Flammarion, Paris,
1887.
Conselhos do Boca de Inferno!...
Despede-se o Poeta da Bahia, quando foi degredado para Angola
Adeus, praia; adeus, cidade,
E agora me deverás,
Velhaca, dar eu a Deus
A quem devo ao demo dar.
Quero agora que me devas
Dar-te a Deus como quem cai,
Sendo que estás tão caída,
Que nem Deus te quererá:
Adeus, povo; adeus, Bahia,
Digo canalha infernal,
E não falo na nobreza,
Tábula em que se não dá.
Porque o nobre enfim é nobre,
Quem honra tem, honra dá,
Pícaros dão picardias,
E ainda lhes fica que dar.
E tu, cidade, és tão vil,
Que o que em ti quiser campar,
Não tem mais do que meter-se
A magano, e campará.
Seja ladrão descoberto,
E qual águia imperial
Tenha na unha o rapante
E na vista o perspicaz.
A uns compre, a outros venda,
Que eu lhe seguro o medrar,
Seja velhaco notório,
E tramoeiro fatal.
Compre tudo e pague nada,
Deva aqui, deva acolá,
Perca o pejo e a vergonha,
E se casar, case mal.
Porfiar em ser fidalgo,
Que com tanto se achará.
Se tiver mulher formosa,
Gabe-a por êsses poiais;
De virtuosa talvez,
E de entendida outro tal;
Introduza-se ao burlesco
Nas casas onde se achar.
Que há donzelas de belisco,
E aos punhos se gastará;
Trate-lhes um galanteio,
E um frete, que é o principal.
Arrime-se a um poderoso
Que lhe alimente o gargaz,
Que há pagadores na terra
Tão duros como no mar.
A êstes faça alguns mandados
A título de agradar
E conserve o afetuoso
Confessando desigual.
Intime-lhe a fidalguia,
Que eu creio que lho crerá,
E que fique ela por ela
Quando lhe ouvir outro tal.
Vá visitar os amigos
No engenho de cada qual,
E comendo-os por um pé
Nunca tire o pé de lá.
Que os Brasileiros são bêstas,
E estarão a trabalhar
Tôda a vida por manterem
Maganos de Portugal.
Como se vir homem rico,
Tenha cuidado em guardar,
Que aqui honram os mofinos,
E mofam dos liberais.
No Brasil a fidalguia
No bom sangue nunca está,
Nem no bom procedimento:
Pois logo em que pode estar?
Consiste em muito dinheiro,
E consiste em o guardar:
Cada um a guardar bem,
Para ter que gastar mal.
Consiste em dá-lo a maganos
Que o saibam lisonjear,
Dizendo que é descendente
Da casa de Vila Real.
Se guardar o seu dinheiro,
Onde quiser, casará:
Que os sogros não querem homens,
Querem caixas de guardar.
Não coma o genro, nem vista,
Que êsse genro universal:
Todos o querem por genro,
Genro de todos será.
Oh! assolada veja eu
Cidade tão suja e tal,
Avesso de todo o mundo,
Só direita em se entortar.
Terra que não se parece
Neste mapa universal
Com outra; e ou são ruins tôdas,
Ou ela sòmente é má.
Obras de Gregório de Matos. IV – Satírica, vol. 1. Publicações da Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 1930.
13/07/2015
09/07/2015
Segunda parte de "Certos Curtos Sinais"...
Projecto de
Diogo Vaz Pinto
Hugo Magro (Realização)
Paulo Tavares
03/07/2015
29/06/2015
«PROTESTO»...
São como flores fanadas os fúteis alfarrábios,
estagnados e doentios como a água adormecida,
do senhor dom artista que não quis colar os lábios
contra os seios da vida.
O homem que vende livros na velha padiola
expõe o romance da sua vida nessa espécie de montra
e grita contra os romances onde a vida estiola
em maciezas de lontra.
E em todos os cantos e recantos da rua
gritam contra os versos mornos, versos mansos, versos falsos,
as mulheres bem vestidas que ganham a vida nuas
e os garotos descalços.
Sidónio Muralha, “Antologia da Poesia Portuguesa 1940-1977” vol.I, [Org.] M. Alberta Menéres e E. M. de Melo e Castro, p. 93-4, Moraes Editores, Lisboa, 1979.
estagnados e doentios como a água adormecida,
do senhor dom artista que não quis colar os lábios
contra os seios da vida.
O homem que vende livros na velha padiola
expõe o romance da sua vida nessa espécie de montra
e grita contra os romances onde a vida estiola
em maciezas de lontra.
E em todos os cantos e recantos da rua
gritam contra os versos mornos, versos mansos, versos falsos,
as mulheres bem vestidas que ganham a vida nuas
e os garotos descalços.
Sidónio Muralha, “Antologia da Poesia Portuguesa 1940-1977” vol.I, [Org.] M. Alberta Menéres e E. M. de Melo e Castro, p. 93-4, Moraes Editores, Lisboa, 1979.
27/06/2015
26/06/2015
Silêncio de Palatina...
Tu falas de mais, homem, e em breve estarás estendido na terra.
Cala-te e, enquanto estás vivo, preocupa-te com a morte.
Páladas (sécs. VI-V d.C.)
In "Do Mundo Grego Outro Sol - Antologia Palatina e Antologia de Planudes", p. 92, sel., trad. e notas de Albano Martins, Edições Asa, Porto, 2001.
25/06/2015
«PROFUNDAMENTE»...
Quando ontem
adormeci
Na noite de São
João
Havia alegria e
rumor
Estrondos de bombas
luzes de Bengala
Vozes cantigas e
risos
Ao pé das fogueiras
acesas.
No meio da noite
despertei
Não ouvi mais vozes
nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em
quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que
há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras
acesas?
– Estavam todos
dormindo
Estavam todos
deitados
Dormindo
Profundamente
Quando eu tinha seis
anos
Não pude ver o fim
da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais
as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos
êles?
– Estão todos
dormindo
Estão todos
deitados
Dormindo
Profundamente.
Manuel
Bandeira, “Poesias e Prosa”, págs. 210-211, vol. I, Editôra
José Aguilar, Lda., Rio de Janeiro, 1958.
19/06/2015
O ENCONTRO
Subitamente
na esquina do poema, duas rimas
olham-se, atônitas, comovidas,
como duas irmãs desconhecidas...
Mário Quintana in “Antologia Poética” Ediouro, Rio de Janeiro, 1998.
na esquina do poema, duas rimas
olham-se, atônitas, comovidas,
como duas irmãs desconhecidas...
Mário Quintana in “Antologia Poética” Ediouro, Rio de Janeiro, 1998.
06/06/2015
05/06/2015
"OPORTOnidade"...
O TURISMO
Visitar este país
até à última gota:
O porco e o Porto a bola e a bolota
o que é como quem diz
itinerar a derrota.
Tudo tem lugar no mapa
Paris Washington Moscovo
Em Itália vê-se o papa
em Lisboa vê-se o povo.
Welcome Bienvenus Salud Willkommen Viva
a sífilis saúda-vos saúda-vos a estiva
desta carga de heróis em carne viva
nociva mas barata;
vindes matar a sede com a uva
beber o sumo de ócio que nos mata.
Desemborcais nos cais desembolsais demais
mas não sabeis
as coisas viscerais as coisas principais
deste país azul
com mais hóteis do que hospitais
talvez por ser ao sol talvez por ser ao sul.
Aqui ao pé do mar bordamos a tristeza
as toalhas de mão as toalhas de mesa
que levais para casa Souvenir
deste povo sem pão
que se cose a sorrir.
Aqui ao pé do rio gememos a saudade
nosso fado submisso nossa água a correr.
Canção de mal devir Souvenir Souvenir
deste povo de trégua
que se canta a morrer.
Aqui ao pé do vento forjamos o lamento
dum país que se vende a peso nos prospectos
tanto de sol ardente tanto de cal fervente
e uma nódoa de céu nos chailes pretos.
Aqui ao pé do fel gritamos o segredo
do que parece fácil neste país de luz:
É apenas a fome.
É apenas o medo.
É apenas o sangue.
É apenas o pus.
José Carlos Ary dos Santos, “Resumo”, pp. 73-4, ed. Autor, Lisboa, 1972.
04/06/2015
"JOGO DE REALIDADE"...
![]() |
| Daniel Maia-Pinto Rodrigues |
Este poema
chama-se Jogo de Realidade
mas também se poderia ter chamado
Comunhão ou Aventura.
Convidou-me para ver
em casa dela
no vídeo
o África Minha
filme da sua predilecção.
Eu já tinha visto esse filme
mas por uma questão de subtil delicadeza
disse-lhe que nunca o tinha visto.
Serviu-me um bom jantar
e uma intensa aguardente montanhesa.
Eu como não sabia muito bem
o que lhe hávia de dizer
saiu-me isto:
“Sabes que Isabel quer dizer cor de café com
leite?”
Ao que ela disse:
“Estou a ver que estás a pensar em alguma Isa-
bel!?”
“Não, não”, disse eu
enquanto me lembrava de uma tirada mais cine-
matográfica:
“Uma vez num filme
agradou-me ver um pequeno adesivo
na mão de um menino
adesivo esse que não veio a revelar
qualquer interferência no contexto do filme.”
Ela ficou assim a olhar para mim
com ar
de quem me estava a achar um bocado maluco
e depois foi a vez dela espetar esta:
que aqui há uns tempos atrás
pertencera a um grupo de malta rebelde
que tinha entre outros projectos inovadores
diversos programas de rádio
e algumas encenações teatrais
sendo todavia o projecto principal
o de mudar o mundo.
Ao que lhe disse
que o meu grande projecto foi sempre
o de que o mundo não me mudasse a mim.
Falou-me então de um tal Tito
… que as coisas entre eles não iam bem
que ele ultimamente não andava… bem…
“Daqui a um bocado – disse-me ela –
há-de aparecer aí uma amiga minha
e vamos abrir aquela garrafa de champagne
e uma latinha de paté-de-foie
é sempre agradável um pequeno ménage!”
Fomos depois para o sofá
para ver o filme
(alta seca, Daniel).
“Olá”, disse eu para uma revista intitulada Sexo
Bizarro
que discretamente descansava entre as almofadas.
Durante o filme ela interrompia-o várias vezes
em actual gesto electrónico
para mo explicar.
Eu lá ia dizendo
que ia percebendo
mas ela insistia na explicação
aquilo já ia em perspectivas complicadíssimas
e eu, claro, comecei a estranhar.
Foi então aí que se deram os três Abre
o abre-te Sésamo
o abre-te vestido
- abrenúncio!
Só ficou por abrir a latinha de paté-de-foie.
Chegou ao topo a intensidade da aguardente mon-
tanhesa
e passado um bocado
parece que ficámos
segundo ela
física e espiritualmente em Comunhão.
“Não te sentes em Comunhão?!”,
perguntou ela.
“Sinto, sinto”.
E ela insiste na questão
“Como é que te sentes…?”
“Olha, sinto-me sem cinto”,
estive para dizer
mas evitei este trocadilho
portador de algum mau gosto
e também algo indecente
daquele género de indecente
tão descortinável pelas mulheres.
Respondendo-lhe à questão
osculei-lhe a testa
com um tácito beijo
e murmurei
mais patético do que pateta
que me sentia em Comunhão.
24/05/2015
Osso de corno...
ARRIPIAR CARREIRA
Eu buscava editores
portugueses
Quando supunha em
Portugal leitores;
Mas hoje apenas leio
aos meus amores
Os pobres versos que
componho às vezes.
Por uma coisa que
escrevia em meses
Levar anos à busca
de editores
Só me rendia ávidos
credores
E não me fazem
conta tais fregueses.
Mudei de ofício:
agora os mais que aprendam;
Já ninguém de
juízo me lastima,
De gastar tempo em
coisas que não rendam.
Agora, sim, que o
público me anima!
Trabalho em pentes,
que elas me encomendam,
E eles fornecem-me a
matéria-prima.
João de Deus,
“Criptinas”, &etc – contramargem /8, pág. 10, Lisboa, 1981
23/05/2015
“É PAU, É PEDRA É O FIM DO CAMINHO”...
INVENTÁRIO
É um barco e uma
pedra.
É a pedrada no
charco.
É o orvalho na
erva.
É a bandeira. É o
arco.
É a chuva. É o
outono.
É a sopa de
hortelã.
É o cão que não
tem dono.
É o bicho da maçã.
O tempo que está
mudando.
É o orgulho
nacional.
É a balada. É o
fado.
A galinha no
quintal.
O carneiro a remoer
as hortenses da
avenida.
E o silêncio a
bater
numa vidraça
partida.
É o ódio que nos
cega.
É o braço que se
estende.
O discurso, a
cabra-cega.
É o homem que se
vende.
É o peito que não
pára
de apertar o
coração.
É a comida mais
cara.
É a cara contra o
chão.
É a semente na
terra.
É o trigo na seara.
É uma arma de
guerra.
É a raiva que a
dispara.
É o lobo que devora
as canelas da
poesia.
É o momento. É a
hora
de estrangular a
alegria.
É a videira é o
vinho.
É o copo de
amargura.
É a santa da
Ladeira.
São as raias da
loucura.
É o tejo que se
embala
num cacilheiro
doente.
É o desejo que
estala.
É o buraco no
dente.
É o dinheiro. É o
juro.
O amor em
percentagem.
É o passado e o
futuro.
É uma questão de
coragem.
É o que sobra. É a
falta.
É o emprego
decente.
É a amizade da
malta.
É a ternura da
gente.
É a mulher que
pariu.
É o filho que se
fez.
É a corda e o
rastilho.
É o sarilho outra
vez.
É o mapa desenhado
sobre as costelas
partidas.
É o sorriso
emprestado.
A hipoteca das
vidas.
É a mágoa
registada.
É a patente do
medo.
É a cultura
enlatada.
É o drama sem
enredo.
É o rugido da fera.
É o marquês de
Pombal.
O cravo na
primavera.
Uma prenda no Natal.
É o azul. É o
vício.
É a carga de
porrada.
É a cara do
polícia.
É a liamba fumada.
O ministro que
promete
que amanhã irá
chover.
O desenho na retrete
para toda a gente
ver.
É a dança é o
marasmo.
A paragem do
autocarro.
É atingir o orgasmo
com o fumo de um
cigarro.
É chamar nomes à
mãe
do tipo que está ao
lado
e responder a
alguém:
Eu estou bem, muito
obrigado!
Joaquim Pessoa,
“Português Suave”, pp. 65-7, Círculo de Poesia – Moraes
Editores, Lisboa, 1979.
NB: Este inventário é antes do inventário do BPN
NB: Este inventário é antes do inventário do BPN
22/05/2015
Um 'bestiário' de Manuel Bandeira...
CHAMBRE VIDE
Petit chat blanc et
gris
Reste encore dans la
chambre
La nuit est si noire
dehors
Et le silence pèse
Ce soir je crains la
nuit
Petit chat frère du
silence
Reste encore
Reste auprès de moi
Petit chat blanc et
gris
Petit chat
La nuit pèse
Il n'y a pas de
papillons de nuit
Où sont donc ces
bêtes?
Les mouches dorment
sur le fil de l'électricité
Je suis trop seul
vivant dans cette chambre
Petit chat frère du
silence
Reste à mes côtés
Car il faut que je
sente la vie auprès de moi
Et c'est toi qui
fais que la chambre n'est pas vide
Petit chat blanc et
gris
Reste dans la chambre
Eveillé minutieux
et lucide
Petit chat blanc et
gris
Petit chat.
Petrópolis, 1992.
Manuel Bandeira,
Obras Poéticas, 1ªed. Editorial Minerva, p.206, Lisboa, 1956.
ANDORINHA
Andorinha lá fora
está dizendo:
– «Passei o dia à
toa, à toa!»
Andorinha,
andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa,
à toa...
Manuel Bandeira,
Obras Poéticas, 1ªed. Editorial Minerva, p.227, Lisboa, 1956.
MADRIGAL TÃO
ENGRAÇADINHO
Teresa, você é a
coisa mais bonita que eu vi até hoje
na minha vida,
inclusive o porquinho-da-Índia que
me deram quando eu
tinha seis anos.
Manuel Bandeira,
Obras Poéticas, 1ªed. Editorial Minerva, p.230, Lisboa, 1956.
21/05/2015
20/05/2015
Boa parte...
Com
a chegada do retrato de Maria-Luíza, em que êle vê «a expressão
de uma bela alma», Napoleão fica cada vez mais inflamado. Ao
general feliz, a filha dos Césares traz a frescura da sua mocidade.
Os
maiores mestres de Viena trabalharam no retrato da princesa. O
célebre Lampi, que nenhum artista moderno iguala na perfeição do
colorido, empregou todo o seu talento para lhe fixar os traços num
quadro a óleo. E um miniaturista reputado, Gérard, teve-a
igualmente como modelo.
Senhora,
Recebi
o vosso retrato. A imperatriz da Áustria teve a gentileza de mo
enviar. Parece-me ver nêle a expressão dessa bela alma que vos torna
tam querida de todos aqueles que vos conhecem e justifica tôdas as
esperanças que eu pus em Vossa Magestade. Amareis, Senhora, um
espôso que acima de tudo quere a vossa felicidade e cujos direitos
serão fundados sôbre a vossa confiança e sôbre os sentimentos do
vosso coração. Penso que estareis já muito perto da França e
espero-vos com impaciência.
NAPOLEÃO.
Paris, 20 de
Março. [1810]
Carlos de la Roncière, “Cartas de Napoleão a Maria-Luíza”,
p.18, Livraria Lello, Porto, Trad. Ramiro Mourão, 1935.
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19/05/2015
"L' Imagination Poétique" colecção dirigida por Henri Parisot...
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