![]() |
| Álvaro Lapa título: Conversa esmalte, acrílico e platex 49,5cm x 136,5cm 1984 |
22/10/2011
21/10/2011
Guardem as costas em Sirtes...
![]() |
| Julien Gracq (*), A Costa de Sirtes, ed. Vega, Lisboa, s/d. |
(*) Pseud. de Louis Poirier Título Original: Le Rivage des Syrtes Tradução: Pedro Tamen. Capa: José Eduardo Rocha, 1992. |
"As Sirtes outrora famosa como instância de veraneio para uma classe privilegiada de Orsenna é, agora, uma região inóspita e algo desertificada onde jaz uma série de ruínas que faz lembrar esse passado"
...diz no livro
20/10/2011
Vou filado nisto mas trago sempre clementinas...
![]() |
| Manuel Cintra, «Tangerina», ed. de autor, 1990, Lx. |
Madrugada.
Segurei nos seios que as minhas mão já não
eram, varri os restos da casca de ovo que já não
me cobria a cara, olhei para a rua que já não
era um espelho e senti-me. Só.
Ao despejar o lixo, encontrei entre cascas um
pequeno fruto redondo, de textura e cor irreco-
nhecíveis e olhei com atenção: não era deste
mundo.
Preferi imaginar que tinha imaginado, tornei
a colocá-lo entre os restantes detritos e, ao che-
gar ao contentor, despejei tudo cumprindo o ri-
tual que devolve algumas coisas à mãe.
Ao regressar a casa, não reparei no cavalo
que circulava tranquilo sobre a parede da sala,
nem na árvore de fruto que tinha nascido no
lava-loiça, nem na quantidade infinita de caixas
que se escondiam debaixo da cama.
Não reparei, mas sei.
Sei perfeitamente que isto representa, na me-
lhor das hipóteses, gostar de saber que não sei
nada, ou tão pouco, que se for realmente uma
tangerina, é porque o trago, para quase sempre,
na palma da mão.
Manuel Cintra in «Tangerina», pp.13-15, ed. de autor, 1990, Lx.
17/10/2011
Pedra-dada...
”«No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra. // Nunca me esquecerei desse acontecimento / na vida de minhas retinas tão fatigadas. / Nunca me esquecerei que no meio do caminho / tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / no meio do caminho tinha uma pedra.»: eis o vendaval que Drummond de Andrade perpetrou na década de 30 no seio da comunidade literária.
Raramente um poeta, para mais inoculando pelo ritmo e pela repetição um leque de significados em materiais tão humildes, conseguiu clarificar tão eficazmente um núcleo imóvel, i. é, o que se manifesta durante (e apenas nesse momento) o acontecimento seminal que lhe abole a dualidade do interior e do exterior. Se a pedra «desencadeia a reflexão, pois cria a aporia que está no princípio de todo o querer saber» (David Arriguci Jr.), a repetição sugere que «no meio do caminho» Drummond partilhou algo vasto e incognoscível (daí o espanto e a afasia que a repetição sublinha) cujo mistério ele nunca poderia descodificar ou iniciar e que empurrou o poema para uma experiência aberta, para um território propenso à «mise en danger». Talvez porque «Esta vida / de que falo / não se escoa, não alimenta os superlativos / diários. É única / e perene sobre a escondida fluência / dos movimentos». (HH) “
António Cabrita in «Combate de Flautas», pp. 7-8, &etc, Lx, 2003.
16/10/2011
E foi mais ou menos assim...
11/10/2011
Preferiria, na sexta-feira, estar no Bartleby...
A Edições 50kg vai estar presente no Bartleby Bar na próxima Sexta-feira 14 de Outubro às 22h30 com uma pequena apresentação dos seus trabalhos editoriais mais recentes. Esta iniciativa estará associada ao main event of the evening, que é o lançamento do Número 6 da Revista de Poesia Piolho cuja apresentação será realizada por Fernando Guerreiro.
PIOLHO Revista de Poesia apresentação por Fernando Guerreiro
«Se dois homens se querem entender verdadeiramente, têm primeiro que se contradizer» Gaston Bachelard
COLABORAÇÕES DE:
Sandra Filipe (ilustrações), Inês Dias, Golgona Anghel, Marta Chaves, Ana Dias, Mariana Pinto dos Santos, Oliveira Martins Roxo, Renata Correia Botelho, A. Maria de Jesus, Sílvia C. Silva, Rui Caeiro, José Carlos Soares, Miguel Martins, Vitor Nogueira, António Barahona, manuel a. domingos, Fernando Guerreiro, Diogo Vaz Pinto, Rui Miguel Ribeiro, Jorge Roque, Luís Manuel Gaspar, A. Pedro Ribeiro, António S. Oliveira, Pedro Calcoen, Rui Pires Cabral, Rui Azevedo Ribeiro, Ricardo Álvaro, Manuel de Freitas e Charles Bukowski
fazem mais ou menos por esta desordem este
número
o sexto Setembro 2011
Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico),Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.
É uma oportunidade para apanharem piolhos novos e uns um pouco mais antigos. Bem como 50kg’s que estão quase a esgotar!
APAREÇAM
Segue a localização:
| | Bartleby Bar R. Imprensa Nacional, 116b (cave do restaurante BS), Lisboa E-mail: bartleby.bar@gmail.com |
10/10/2011
09/10/2011
De 10 em 10 anos... para manter o bom nome
![]() |
| Clicar sobre a imagem para aumentá-la |
Para lembrar António Pedro Ruella Ramos e Fernando Assis Pacheco... Mas também para evitar, que os títulos deste jornais possam ser usurpados, para fins como, por exemplo, os publicitários... Legalmente se existir uma impressão de 10 em 10 anos mantém-se a propriedade sobre estes títulos... Enfim, escrever com o Direito para evitar o torto! Ilustrações de Bárbara Assis Pacheco. Com um poema inédito de Miguel-Manso.
![]() |
| Diário de Lisboa, Diário Ilustrado e o Sempre Fixe! |
A fatal-lista...
I
Voltou de Pondichéry no meio
de sedas damascos diamantes concubinas
o cordão de ouro da mãe
não serviu para pagar
a edição dos seus poemas
mas para pagar a passagem
para Pondichéry
onde veio a fazer fortuna
nenhuma musa teve a caridade
de gelar a tinta no seu tinteiro
também nunca lhe faltou o pão com queijo branco
nem o papel
tanto o papel para escrever poemas
como o papel de carta
escreveu cartas a Diderot
a que juntou poemas
Diderot nunca lhe respondeu
no regresso recebeu-o com frieza
dei-lhe um conselho sensato
o que é que queria mais?
a obstinação do poeta de Pondichéry
em escrever poemas que Diderot acha maus
é como a de Sísifo
mas há uma diferença
nos montes não há pedras boas e pedras más
e nos livros há poemas bons e poemas maus
as concubinas as sedas os damascos e os diamantes
não o consolam de escrever maus poemas
emenda muito os seus poemas
os papéis que os herdeiros vão encontrar
depois da sua morte
parecem palimpsestos
mas as emendas são como um eczema
sobre uma pele de que nunca se gostou
2.XII.1985
Adília Lopes in «O Poeta de Pondichéry seguido de Maria Cristina Martins», p.13, ed. Angelus Novus, Braga-Coimbra, 1998.
![]() |
| O Poeta de Pondichéry seguido de Maria Cristina Martins de Adília Lopes |
08/10/2011
É do picante...
| António Cabrita, foto retirada daqui |
ROSA COM ESPINHOS
O que invejo nos sages é o que não gosto
na sua literatura. Falta-lhes em Susto & Cólera
o que sobra em Graça, como se abstraídos
do adocicado com que o morto ao segundo
dia empesta o ar. Sou um compulsivo
leitor de sages mas sei que no último fôlego
o ouriço sonda o que há de macio no traseiro
do invisível e o fogo se atiça com a água.
Abro a boca e logo um sage se senta
ao colo de uma sílaba, é imediato, tenho
a boca cheia de santos, ainda que a afro-
-china que acabou de passar é que
me levasse ao engano. Contradições,
arestas, obstáculos, situações: o sal
da poesia, ainda que pareça impertur-
bável a sua líquida transparência. Mas,
o gume da luz naquela face engoliria tudo.
Do pouco que estimo em Bukovski
Adoro este verso, «Nasci para roubar rosas
nas avenidas da morte». Rosas com espinho.
António Cabrita in «Piripiri Suite seguido de Visions de L’Amen», p.41, Ver o Verso, 2007, Maia.
COLÓQUIOS COM O MEU GATO, 2
Não distinguir entre os frutos
da insónia e os frutos insones
pode ser a desgraça do poeta.
Quem livra de dissabores
o crente que não separa
Deus da sua mudez? Não
te tomes por mente subtil
e refinada p’la arte. A maçã
rola de uma para outra
mão até despertar no ramo?
Não dispõe a vida sobre
o tampo os resguardos,
como moedas cambadas?
Baldeou-te um golpe de ar,
um golpe d’ar, um golpe…
António Cabrita in «Piripiri Suite seguido de Visions de L’Amen», p.43, Ver o Verso, 2007, Maia.
![]() |
| Piripiri Suite seguido de Visions de L’Amen - Poemas da Distância Incomum -, ed. Ver o Verso, Maia, 2007. |
03/10/2011
Ao pé da Pé de Mosca
| postais impressos por participantes do Guimarães noc noc na pé de mosca |
| prensa de encardenação |
| impressão com linóleo |
| impressão com linóleo |
| impressão com linóleo |
| impressão com linóleo |
mais informações sobre a Cooperativa Pé de Mosca aqui
30/09/2011
Pequena maravilha... portátil
27/09/2011
«Palinopsia» disponível 2
O livro Palinopsia de Pedro S. Martins encontra-se disponível para aquisição em algumas livrarias (consulte 'Locais de Venda' na barra lateral deste blog). Segue-se com imagens do destaque dado pela Livraria Utopia no Porto.
| "Palinopsia" de Pedro S. Martins na Livraria Utopia |
| "Palinopsia" de Pedros S. Martins na Livraria Utopia |
24/09/2011
Um armazém de maravilhas
Do manual de desenho de letras
23/09/2011
Parece que sempre é, como se diz em Trás-dos-Montes...
CALECHE s. f.
1. [Galicismo] Carruagem de dois assentos e quatro rodas, aberta por diante.
2. [Portugal: Trás-os-Montes] Cálice pequeno, cagãozinho
![]() |
| clicar sobre a imagem para aumentar |
“SENHORA ! – A opinião dynastica da Nação é bem conhecida, mas, qualquer que ella seja, é innegavel que vos achais agora occupando o throno em Portugal.
Pode disputar-se sobre o direito de um governo, entretanto todo o facto tem suas consequencias naturaes .
Sois o chefe do governo, Senhora! e nessa qualidade nos dirigimos a vós, sem prejuizo de nossas crenças.
A imoralidade, o nome deste povo, o interesse publico, a honra, e todas as considerações elevadas, que podem determinar os corações nobres, todas ellas nos aconselham o erguer deste brado, e a procurar que elle chegue aos vossos ouvidos.
Senhora! este paiz ja tocou com os pés o ultimo degrau da abjecção. Mais um passo, e ei-lo nesse terrivel abysmo, onde as nações costumam dormir o seu somno eterno.
Aquele somno, que ainda dorme Grecia e Roma; esse de que ainda não acordou Veneza; o somno que encadeia no sepulchro tantos povos gigantes.
(…)
Camillo Castello Branco
21/09/2011
Do cancioneiro...
![]() |
| Luís de Sousa Costa (1932-1986) no filme Veredas de João César Monteiro |
“2
Pôs a fatia de pão no café. Retirou-a amolecida. Tinha manteiga. O café engordurara. Mastigou devagar. Disse: «Não almoço». A sogra pensou: «Tem caso». A mulher confirmava: «Espécie». Ele acrescentou: «Não janto». Arrancara o dia do calendário. Saiu.”
Luís de Sousa Costa in «Cancioneiro policial da menina Alzira, p.26, 2ªed., Fenda, 1999, Lx.
“3
Na cabina chamou a Central. Pedia o carro. Entrou no café. Sorria. Na mesa ao lado o bêbado desdenhou. O dono viu pelo espelho. Trouxe o café. O carro chegou depois. Foi lá dentro. Pôs os óculos de praia. Bigode não tinha por enquanto. O bêbado desdenhava ainda.”
Luís de Sousa Costa in «Cancioneiro policial da menina Alzira, p.27, 2ªed., Fenda, 1999, Lx.
“4
Chegando ao prédio destinado, disse ao porteiro: «Quem é a Menina Alzira?» O porteiro recusou. Passou-lhe uma nota para as mãos. O porteiro alçou o ombro. O inspector apostou em duas notas entregues. O porteiro não encarava. Cinco, arredondou o polícia. O porteiro resguardava. Disse: «Não sei quem é a Menina Alzira».”
Luís de Sousa Costa in «Cancioneiro policial da menina Alzira, p.28, 2ªed., Fenda, 1999, Lx.
19/09/2011
Piolho 6
![]() |
| aí está o número sexto da Piolho acabadinho de chegar |
PIOLHO Revista de Poesia
«Se dois homens se querem entender verdadeiramente, têm primeiro que se contradizer» Gaston Bachelard
Sandra Filipe (ilustrações), Inês Dias, Golgona Anghel, Marta Chaves, Ana Dias, Mariana Pinto dos Santos, Oliveira Martins Roxo, Renata Correia Botelho, A. Maria de Jesus, Sílvia C. Silva, Rui Caeiro, José Carlos Soares, Miguel Martins, Vitor Nogueira, António Barahona, manuel a. domingos, Fernando Guerreiro, Diogo Vaz Pinto, Rui Miguel Ribeiro, Jorge Roque, Luís Manuel Gaspar, A. Pedro Ribeiro, António S. Oliveira, Pedro Calcoen, Rui Pires Cabral, Rui Azevedo Ribeiro, Ricardo Álvaro, Manuel de Freitas e Charles Bukowski
fazem mais ou menos por esta desordem este
número
o sexto Setembro 2011
Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico),Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.
Para mais informações siga por aqui
Subscrever:
Comentários (Atom)







































