11/08/2013

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Olha Jorge quando vier a morte

E virá cedo

«Não deixes fechar-me os olhos»

Eflorescências salitrosas me rebentarão das órbitas

Para queimar as mãos que fechar-mos queiram

- Não pode a luz negar-se a quem bêbado dela

Inventou em cada dia uma madrugada

E eis tudo quanto deixo a quem me herde

Não Jorge não deixes fechar-me a luz que em vida

Neles sempre tive

Estendido no caixão sereno e impoluto

Irei de olhos abertos

Porque eu quero e sei que hei-de morrer

Como quem vive.

Vasco Miranda in “Invenção da Manhã e outros poemas”, Livraria Morais Editora, Lx, 1963.

1 comentário:

ruialme disse...

O Jorge é Jorge de Sena.