29/08/2012

Max Martins

Max Martins 
Saltimbanco

O não mais espumoso vinho dos abismos
O cauterizado testemunho de um instante de beleza:
O ritmo do oceano
O palco
e a metade da cama para o falso poema
O saltimbanco

Ou o sangramento
da perda de um deus a cada assalto
O cadafalso
O semidestroçado frêmito de um destino cego de antemão
O não mais aceito rito do ofício O ofício:
esta rasura do corpo sendo esquecido
O esquecimento
O desabitado segredo das palavras

Max Martins in 'Marahu Poemas' (1991)



Entrelinha


Caço a palavra caço-me
na palavra ato-me
à palavra


E me desato suniato-me sumo
na sombra do silêncio
da palavra?

Max Martins in '60/35' (1985)

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