24/04/2017

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Retrato com compasso - Henri Roorda

“ Mas em breve a sociedade cobra de cada um tudo o que lhe deu. Depois de nos ter posto no espírito imagens exaltantes impede-nos com a sua moral e as suas leis, a satisfação dos desejos e, muitas vezes das necessidades imperiosas. Os seus educadores começam por cultivar em nós o gosto do belo, depois desfiguram a nossa vida transformando-nos em máquinas.

A sociedade é mais forte: facilmente se desembaraça dos indivíduos que a incomodam. Mas, em muitos casos, o indivíduo é que tem razão contra ela: ele é já o representante de uma sociedade melhor. É revoltando-nos contra a sociedade que por vezes cumprimos o nosso dever social.”

Henri Roorda "O Meu Suicídio" (1925), pág. 54, & etc, 1993. (trad. Rui Caeiro).

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12/04/2017

Escritores Esquecidos 14...

H. Silva Letra

H(enrique) Silva Letra, nasceu à 90 anos, é capaz de ser mais conhecido como tradutor mas  é também um autor. Porventura "A Palavra Fascinante" é o seu livro mais relevante...

“Nasceu em Vieira de Leiria, 1927. A sua autobiografia resume-se nestes termos: «Não fiz estudos secundário. Biograficamente, nada de relevante. Vivo de traduções literárias. Concluí um volume de narrativas em prosa». Este último dado vale, no entanto, por um auto-retrato do que há de relevante na sua vida: o entrecruzar íntimo constante entre a prosa e poesia, entre a unidimensionalidade, imposta de fora, e a resistência permanente da pluridimensionalidade humana; entre o Tempo inautêntico que se mede em dinheiro («time is money») e o tempo da vida autêntica, que não se esquece, e que não esquece todas as formas , quase sempre antecipadas, de sua negação, quer dizer de morte em vida, da morte pior que a morte.”

Armando Alves


V

“«Quanto a nós, embora por vezes viajemos também no sono, esperamos contudo ver o nosso futuro sem estátua; em determinadas noites sentimos igualmente certo nervosismo, mas não temos falta de fé, pois temos toda a fé, que não é nenhuma todavia. Sabemos no entanto usar palavras – a linguagem salva – e somos sempre uma presença no singular se por acaso nos acontece marchar insolitamente com uma velha bandeira no sono. Proccuramos não viver morrendo e não tentamos sôfregamente escapar ao perigo ainda no sono, quando todos os soldados fogem. Tentamos também não obter lucros indevidos e não desempenhar papéis que estão para além da nossa capacidade; quando divagamos em bicos de pés para o passado nunca vamos em grande número nem pomos coroas de papel na cabeça».”

H. Silva Letra, “A Palavra Fascinante”, pp. 83-4, Editorial Inova, Porto. 1969.


Duas Traduçöes de H. Silva Letra que foram marcantes:

Traduçäo de H. Silva Letra

Traduçäo de H. Silva Letra


Encadernaçäo...













09/04/2017

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The Holloway Reading Stand and Dictionary Holder

The Holloway Reading Stand and Dictionary Holder

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