26/07/2011

Pintar até ao fim... 22.., 23... e os seus ateliês...

Margaret Olley (1923-2011)

Margaret Olley (1923-2011)

M. Olley paisagem morta
Margaret Olley, no Ateliê.


Margaret Olley (1923-2011)

Lucien Freud (1922-2011)


L. Freud no ateliê...


Lucien Freud e Francis Bacon
Francis Bacon e Lucien Freud 

...e já agora uma imagem do emblemático ateliê de Francis Bacon


08/07/2011

Tipografia Moderna


Em Viana do Castelo na Tipografia Moderna:
Rua de Santa Clara no nº103

Vista Geral com o Sr. José Lima a encadernar
Vista Geral (ângulo inverso)
Sr. Lima na Guilhotina «Kluge»
Minerva Alemã de Bancada
Informação do Fabricante e do Distribuidor
Laminário e Material de Imposição

Minerva de Pedal (tipo: Chandler & Price, mas não é!)




Ferros de Dourar e Brunir
Componedor de dourar


A Vida Moderna














QUINO

Clicar no link para ver um documentário sobre QUINO: http://www.tal.tv/pt/webtv/video.asp?house=P005996&video=QUINO

26/06/2011

Das teorias...

 Clever Han (The Horse of Mr. von Osten) (1907; English 1911)


E o cavalo contava
as indiferenças que existem
entre rir e chorar...


Oscar Rejlander sobre a indiferença de expressão do rosto em momentos de dor e de alegria...

18/06/2011

Hiatos

EROS

Há um momento
-em meio das tuas pernas-
em que se está sem crâneo:
Em que se está suspenso
entre o Céu e a Terra,

claramente sabendo-se
que a Terra não é sítio
para os filhos do Homem...

J. O. Travanca-Rêgo in "Hiatos", p.32, Editorial Diferença, Leiria, 1998.





USOS DA MATEMÁTICA

Depois de haver escavado inteira a Noite,
seu vasto Império-Podre sem raiz,
palavras sei: palavras aprendi.
- E hoje aqui estou
                            como da primeira vez
que aportei à Margem-Negra e a temi,
não a temendo agora, é certo, que as Hipóteses
do Milagre não deixam de ter número
(e tudo o que é contado tranquiliza-me)...

E, do temor, então direi
                que não passou
de mar-e-barco para a Verdade-
praia que  não colhi!

J. O. Travanca-Rêgo in "Hiatos", p.30, Editorial Diferença, Leiria, 1998.

Mais aqui

14/06/2011

O número 5 da revista PIOLHO

Já está disponível o número 5 da revista PIOLHO com o título de «Muito me espantaria se daqui saísse vivo.» Rui Azevedo Ribeiro



Com as participações de: Humberto Rocha, Luciane Godinho da Silva, Soraia Martins, Fernando Guerreiro, Mário Pinto, Zarelleci, Pedro S. Martins, Marcos Farrajota (ilustrações), Francisco Félix, Teixeira Moita, BiXinho, Miguel Sá Marques, Georges Bataille, Pedro Jofre, Paulo Themudo, Oliveira Martins Roxo, Rui Tinoco, Theódore Franckael, Roberta Ferraz, Maiara Gouveia, Érica Zíngano, Renan Nuernberger, Rafael Rocha Daud, Andréa Catrópa, Danilo Bueno, Rui Azevedo Ribeiro, Raul Simões Pinto e António S. Oliveira

Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O. e uma colaboração especial de Érica Zíngano e do grupo a «piolheira»


Mais informações Aqui

Ainda...

Ainda em choque por ver que a Filosofia passou de um curso sem saída para um curso de saída...

07/06/2011

Sobre a «Crise» - Parte II

(O comissário europeu da Economia e Finanças, o finlandês Olli Rehn)

Continuação da Parte I já publicado neste blog
II. Cenários e o ceteris paribus.

O tratamento dos factos sociais como objectos por parte das ciências sociais (muito centrada em previsão de cenários – optimistas, pessimistas e realistas – conjugados com dados estatísticos e previsões históricas) submete estes saberes ancestrais a tendências e padrões subjacentes ao nível cénico atendido. Isto contribui para que se crie argumentos generalistas baseados no pressuposto do ceteris paribus[1] – «que se tudo se mantiver constante o mesmo acontecimento repetir-se-á invariavelmente». Um princípio de isolamento artificial que assegura a nas mesmas condições uma reprodução dos mesmos efeitos – um experimento. Uma proposição útil quando aplicado à física mas não tão eficaz quando transposto para as ciências sociais, principalmente nas previsões de longos prazos onde a infinidade de acontecimentos que podem advir do decorrer do tempo praticamente impossibilita a credibilidade de qualquer cenário.

A objectividade científica dos cenários tem nas ciências sociais, a função de apresentarem modelos fidedignos da realidade dos fenómenos e instituições sociais, para determinar a origem e compreensão dos mesmos, e posteriormente traduzir uma tendência (que tem por base o método comparativo de analogias e diferenças verificadas em períodos anteriores) estabelecendo previsões que assumem como certo que as mesmas causas provocarão os mesmos efeitos se ceteris paribus. Em Economia, por exemplo, é corrente o uso desta proposição (ceteris paribus) para a elaboração de cenários de previsão que deste modo anula alguma da complexidade inerente aos acontecimentos sociais e às suas inter-relações. As previsões de longo prazo (mais de 30 anos) apesar de imprecisas são constantemente usadas por indiciarem uma maior amplitude da especulação mesmo quando a comprovação, a sua verificação ou refutação é adiada para um futuro, permite no entanto estabelecer uma pré-visão evolutiva do que será esse devir.

Sobre o uso destes cenários para uma engenharia social as palavras de Karl Popper são explícitas:
“A economia não pode, portanto, dar-nos nenhuma informação importante sobre a reforma social. Só uma pseudo-economia pode pretender servir de base a um planeamento económico racional. A economia verdadeiramente científica apenas pode ajudar a revelar quais são as forças impulsionadoras do desenvolvimento económico em diferentes períodos históricos. Isso pode ajudar-nos a prever os contornos de períodos futuros, mas não pode ajudar-nos a formular e pôr em prática nenhum plano pormenorizado de um novo período.” (Popper, 2007, pp. 48-49)

Os usos destes ensinamentos ancestrais em actuais manuais de gestão só podem pretender referir-se ao encontro de regularidades que são desveladas à medida que se progride dentro de um cenário. Regularidades que inúmeras vezes são hipotéticas; quando se tratam de variáveis que dependem de outras mas que para efeitos de observação são isoladas casualmente ou temporalmente num ceteris paribus.

Os cenários são o equivalente das ciências sociais aos laboratórios das ciências naturais com a diferença de o conhecimento em si não ser a finalidade – antes a elaboração da previsão correcta. Neste ponto alcançamos a situação problemática das previsões a que Karl Popper sugeriu o nome de efeito de Édipo.
“A ideia de que uma previsão pode influenciar o acontecimento previsto é muito antiga. Na lenda, Édipo matou o pai que nunca vira antes; e isto foi consequência directa da profecia que levara o seu pai a abandoná-lo. É por esta razão que proponho que se dê o nome de «efeito de Édipo» à influência da previsão no acontecimento previsto (ou, em termos mais gerais, à influência de uma dada informação na situação a que a informação diz respeito), quer essa influência tenda a dar origem ao acontecimento previsto, quer tenda a impedi-lo de se concretizar.” (Popper, 2007, p.17)
            Os cenários são elaborados interpelando a sociedade na sua constituição social presente (organização) – para dela retirar os dados necessários à realização de previsões. Mas devemos interrogar-nos até que ponto a execução de cenários de previsão não irá influenciar e precipitar as condições existentes na sociedade. “Num caso extremo, a previsão pode até causar o acontecimento que prevê: é possível que o acontecimento não tivesse ocorrido se não tivesse sido previsto. No outro extremo, a previsão de um acontecimento iminente pode levar à sua prevenção”. (Popper, 2007. p.19)

Rui Azevedo Ribeiro
CONTINUA...


[1] Ceteris paribus do latim “as de mais a par” ou “tudo o mais é constante” (Samuelson & Nordhaus, 1992, p.1111).