07/06/2011

Sobre a «Crise» - Parte II

(O comissário europeu da Economia e Finanças, o finlandês Olli Rehn)

Continuação da Parte I já publicado neste blog
II. Cenários e o ceteris paribus.

O tratamento dos factos sociais como objectos por parte das ciências sociais (muito centrada em previsão de cenários – optimistas, pessimistas e realistas – conjugados com dados estatísticos e previsões históricas) submete estes saberes ancestrais a tendências e padrões subjacentes ao nível cénico atendido. Isto contribui para que se crie argumentos generalistas baseados no pressuposto do ceteris paribus[1] – «que se tudo se mantiver constante o mesmo acontecimento repetir-se-á invariavelmente». Um princípio de isolamento artificial que assegura a nas mesmas condições uma reprodução dos mesmos efeitos – um experimento. Uma proposição útil quando aplicado à física mas não tão eficaz quando transposto para as ciências sociais, principalmente nas previsões de longos prazos onde a infinidade de acontecimentos que podem advir do decorrer do tempo praticamente impossibilita a credibilidade de qualquer cenário.

A objectividade científica dos cenários tem nas ciências sociais, a função de apresentarem modelos fidedignos da realidade dos fenómenos e instituições sociais, para determinar a origem e compreensão dos mesmos, e posteriormente traduzir uma tendência (que tem por base o método comparativo de analogias e diferenças verificadas em períodos anteriores) estabelecendo previsões que assumem como certo que as mesmas causas provocarão os mesmos efeitos se ceteris paribus. Em Economia, por exemplo, é corrente o uso desta proposição (ceteris paribus) para a elaboração de cenários de previsão que deste modo anula alguma da complexidade inerente aos acontecimentos sociais e às suas inter-relações. As previsões de longo prazo (mais de 30 anos) apesar de imprecisas são constantemente usadas por indiciarem uma maior amplitude da especulação mesmo quando a comprovação, a sua verificação ou refutação é adiada para um futuro, permite no entanto estabelecer uma pré-visão evolutiva do que será esse devir.

Sobre o uso destes cenários para uma engenharia social as palavras de Karl Popper são explícitas:
“A economia não pode, portanto, dar-nos nenhuma informação importante sobre a reforma social. Só uma pseudo-economia pode pretender servir de base a um planeamento económico racional. A economia verdadeiramente científica apenas pode ajudar a revelar quais são as forças impulsionadoras do desenvolvimento económico em diferentes períodos históricos. Isso pode ajudar-nos a prever os contornos de períodos futuros, mas não pode ajudar-nos a formular e pôr em prática nenhum plano pormenorizado de um novo período.” (Popper, 2007, pp. 48-49)

Os usos destes ensinamentos ancestrais em actuais manuais de gestão só podem pretender referir-se ao encontro de regularidades que são desveladas à medida que se progride dentro de um cenário. Regularidades que inúmeras vezes são hipotéticas; quando se tratam de variáveis que dependem de outras mas que para efeitos de observação são isoladas casualmente ou temporalmente num ceteris paribus.

Os cenários são o equivalente das ciências sociais aos laboratórios das ciências naturais com a diferença de o conhecimento em si não ser a finalidade – antes a elaboração da previsão correcta. Neste ponto alcançamos a situação problemática das previsões a que Karl Popper sugeriu o nome de efeito de Édipo.
“A ideia de que uma previsão pode influenciar o acontecimento previsto é muito antiga. Na lenda, Édipo matou o pai que nunca vira antes; e isto foi consequência directa da profecia que levara o seu pai a abandoná-lo. É por esta razão que proponho que se dê o nome de «efeito de Édipo» à influência da previsão no acontecimento previsto (ou, em termos mais gerais, à influência de uma dada informação na situação a que a informação diz respeito), quer essa influência tenda a dar origem ao acontecimento previsto, quer tenda a impedi-lo de se concretizar.” (Popper, 2007, p.17)
            Os cenários são elaborados interpelando a sociedade na sua constituição social presente (organização) – para dela retirar os dados necessários à realização de previsões. Mas devemos interrogar-nos até que ponto a execução de cenários de previsão não irá influenciar e precipitar as condições existentes na sociedade. “Num caso extremo, a previsão pode até causar o acontecimento que prevê: é possível que o acontecimento não tivesse ocorrido se não tivesse sido previsto. No outro extremo, a previsão de um acontecimento iminente pode levar à sua prevenção”. (Popper, 2007. p.19)

Rui Azevedo Ribeiro
CONTINUA...


[1] Ceteris paribus do latim “as de mais a par” ou “tudo o mais é constante” (Samuelson & Nordhaus, 1992, p.1111).

27/05/2011

Na feira do livro do Porto...


Podem encontrar o título 'Rendimento Mínimo' das Edições 50kg no Pavilhão A24 da Corpos Editora
Fica aqui um agradecimento à Corpos Editora.

Não foi nada...

Sem nenhuma incumbência em especial volto-me para mim mesmo ou seja revolto-me... E isso, sem descurar uma certa sublevação.

Esqueçam!... afinal não estava revolto, mas antes envolto. Acabam-me de dizer que revoltar tem algo de voltar a um mesmo sítio. 

22/05/2011

Sobre a «Crise» - Parte I



I. Crise e Oportunidade.

Em 12 de Abril de 1959 o senador John Fitzgerald Kennedy proferiu num discurso[1] que “a palavra crise quando escrita em chinês[2] é composta por dois caracteres – um representa o perigo e o outro oportunidade.”
“When written in Chinese, the word crisis is composed of two characters– one represents danger and one represents opportunity.”   John F. Kennedy

Victor Mair, professor da cadeira de Língua e Literatura Chinesa e coordenador do departamento – Center for East Asian Language and Civilizations Studies na Universidade de Pensilvânia em Filadélfia nos Estados Unidos da América, num artigo disponível em www.pinyin.info/chinese/crisis.html, descreve o seu enorme esforço para denunciar o desentendimento generalizado do ideograma crise em mandarim – que este é constituído pela palavra perigo e oportunidade. Mair, neste artigo, informa que o desentendimento expandiu-se com uma forte conivência da indústria de edição que inclui essa mensagem sem verificar a sua autenticidade em vários livros de métodos de orientação de confiança. Muitos destes métodos, aliados a técnicas de gestão empresarial, têm a presunção de se constituírem em modernos manuais e cursos de ajuda. Onde o recurso a expressões orientais, que possam traduzir alguma sageza mística oriental, é utilizado como um ornato precioso para a venda de exemplares incorporando expressões energéticas e motivadoras (no sentido de um pensamento positivo face às contrariedades), tendo como principal característica de facilmente formarem sínteses e fórmulas apelativas para o senso comum. Estas expressões entram num descuidado ciclo de referenciação quando têm unicamente como fonte outros livros similares que já contêm o desentendimento, que desta maneira é repetido e propagado.

Vitor Mair, no artigo supracitado, informa-nos que a palavra crise em mandarim é weiji. E se o ideograma wei realmente significa perigoji não significa oportunidade. Oportunidade em mandarim é jihuì, sendo huì a palavra que designa ocasião. E ji, por si só, pode ser traduzido por máquina ou dispositivo. Porém não faz sentido, em mandarim, ler weiji como máquina ou dispositivo de perigo ou jihuì como máquina ou dispositivo de ocasião, por muita lógica que pudesse ter esta associação. Essa construção, essa morfologia gramatical não se verifica, ji como sufixo ganha inúmeros significado. Weiji é crise e crise também em mandarim significa um momento perigoso e decisivo. Não significa uma máquina de perigo e muito menos uma espécie de anagrama que solicita uma visão conjunta de perigo e oportunidade como Kennedy sugeriu.
  
A indústria de edição de livros tem demonstrado uma grande determinação em editar livros em que ancestrais ensinamentos orientais – como o Tao Te Ching de Lao Tzu (604-517 a.C.) mais conhecido como o livro do caminho e da sua virtude, um livro de provérbios e adágios (no sentido de sentença moral) chineses e que inspiraram as filosofias Taoistas; ou o Hagakure: O Livro do Samurai de Yamamoto Tsunetomo (1659-1719†); ou mesmo a Arte da Guerra de Sun Tzu (544-496 a.C.), para ditar apenas alguns exemplos – são convertidos em manuais de técnicas de iniciação ao empreendorismo. Estes escritos tinham na sua origem situações de crise, entendidas como momentos perigosos, em que era necessário tomar medidas muito urgentes e eficazes. Momentos como guerras e ameaças à soberania de um país ou soberano originavam a produção de saberes[3] tácticos e críticos, que em casos semelhantes de ancestralidade, foram retiradas da observação do funcionamento das leis orgânicas (como os seres se organizam e sobrevivem) na Natureza e, para ela remete o seu saber numa forma vincular. É disso um exemplo quando Sun Tzu acolhe um ditado chinês que diz que “o peixe apodrece pela cabeça” (Fayard, 2009, p.113) servindo-se dessa invariável da Natureza para elaborar um princípio estratégico que sugere a eliminação dos chefes e cabecilhas para conter uma ameaça.

Por essa altura, o estabelecimento em método destes saberes, surgia pela necessidade de fazer um registo para analogias vindouras. Propagar e conservar esses saberes era o motivo que se encontrava na proveniência da maior parte das obras acima mencionadas. A sua conversão, nos dias de hoje, para manuais de gestão força uma aplicabilidade. Esse saber estratégico, por vezes, descontextualizado da sua perspectiva histórica é, nos seus princípios e recomendações, apresentado numa versão simplificada, e sem a adequada revisão crítica, a fim de sugerir uma aplicabilidade presente ou particular que uma elaboração de cenários intencionalmente fixos para reduzirem a gama de possibilidades que determinada situação acarreta e isto é executado, para forçar e garantir a coerência e equiparação das estratégias ancestrais com as contemporâneas técnicas e métodos de gestão.

Rui Azevedo Ribeiro

CONTINUA...


[1] Convenção da United Negro College Fund, Indianapolis, Indiana. Discurso completo em www.jfklibrary.org/Historical+Resources/Reference+Desk/Speeches/JFK/JFK+Pre-Pres/189POWERS09JFKPOWEES_59APR12.htm
[2] Seria mais correcto dizer mandarim. Porém no contexto da guerra fria entende-se o uso mais popular e abrangente desta escolha, que segue um propósito ao longo do discurso de John Fitzgerald Kennedy – o da divisão do poder em dois blocos: de um lado os Estados Unidos e aliados e do outro a coligação sino-soviética.
[3] No sentido de um conjunto de artes ou habilidades para praticar uma operação.

14/05/2011

Foi mais ou menos assim...

Apresentação do número 4 da revista de poesia Piolho e o opúsculo poético Rendimento Mínimo na Livraria Capítulos Soltos - Braga em 14 de Maio de 2011

  Livraria Capítulos Soltos - Braga em 14 de Maio de 2011


Livraria Capítulos Soltos - Braga em 14 de Maio de 2011

08/05/2011

Apresentação em Braga



No próximo Sábado, 14 de Maio pelas 18h00, as Edições 50kg apresentarão o opúsculo poético rendimento mínimo na cidade de Braga na livraria Capítulos Soltos. Esta apresentação será integrada no Lançamento em Braga do número 4 da Revista de Poesia Piolho que contará com a presença de A. Dasilva O., Raul Simões Pinto, Rui Azevedo Ribeiro, Rui Tinoco – havendo sempre uma vaga aberta para convidados surpresa.

Contamos convosco!

Morada:
Rua Santo André, 93 R\C
4700- 308 Braga





26/04/2011

...Recomendável segundo a ficha


(Clicar na imagem para ampliar)

O que Akhbar disse a Naiq Gopaul

1

Os navios conspurcam a cidade, canta
no meu rio, parede alta
será teu o braço a virilha do
tirano, a duração das cheias
no colete azul das raparigas.


2

A córnea oscila nesta água de mentiras
move, na pupila do senhor, línguas de fogo
Contrai-se o alçapão, salta
no âmago das velas o grão do amor
deflagra
o céu, aberto à punção do voo.


3

O mastro destrói a viagem,
antiga elipse, a carne, única
ilusão que persistia indica
uma rota às profecias.



4

Para te  erguer noutro destino,
tijolo de cinza, próximo das
águas apagadas, nenhuma canção
resta, nas muralhas só o vento.

Gil Nozes de Carvalho, “Alba”, INCM – Gota de Água, pp.9-12, col. «Plural», Lx, 1982.




21/04/2011

...



Estão cada vez mais parecidos com uma vara de bacorinhos chiando vitimizações e baralhando-se uns com os outros…

Os mídias exploram este triste jogo de bisca lambida em que um puxando da desculpada carta faz com que o outro assiste... Prolongando a mesma melopeia chorosa.

Quem não conhece este baralho cheio de bandalhos? 

15/04/2011

Deste gosto deste...

António de Sousa (Porto, 1898 - Oeiras, 1981)

Errata
Que mundo este, sufocado!
E quer matar o que há-de vir!...

Em qual dos dois serei pecado?
A qual dos dois vou disfarçado?
De qual dos dois estou cansado?
.
- Mãe, custa tanto rir!
.
António de Sousa in  "Jangada", 1944, Coimbra Editora

08/04/2011

Quem tem olho é Rei...

(ESGOTADO)


Renato Ferrão distinguido com o Prémio de Artes Plásticas União Latina 2010

08 de Abril de 2011, 11:50

Lisboa, 08 abr (Lusa) - O artista plástico Renato Ferrão foi distinguido com o Prémio de Artes Plásticas União Latina 2010, revelou hoje à agência Lusa fonte da entidade organizadora.
O júri do prémio esteve reunido durante a manhã de hoje na sede da Fundação D. Luís I, no Centro Cultural de Cascais, e tomou a decisão por unanimidade, sublinhando a "elevada qualidade das quatro obras apresentadas a concurso".
Além de Renato Ferrão, nascido em Vila Nova de Famalicão, em 1975, os outros finalistas do galardão eram Pedro Barateiro, a dupla Von Calhau (composta por Marta Ângelo e João Alves) e Mauro Cerqueira.
O júri internacional foi constituído por Marianne Lanavère, diretora de La Galerie, Centre D'Art Contemporain (França), Alberto Ruiz de Samaniego, da Fundação Luis Seoane (Espanha), Carolina Italiano, do MAXXI, Museu Nacional de Arte do século XXI (Itália) e Lúcia Marques, curadora e crítica de arte (Portugal).
A peça apresentada por Renato Ferrão é uma instalação intitulada "Vida Material" e usa extensores, uma cadeira, uma cómoda e um prato, montados como duas esculturas em tensão, indicou à Lusa um dos membros do júri.
O júri decidiu distinguir Renato Ferrão "pela maturidade com que lida com o espaço, considerando também a análise e releitura original de conceitos e dinâmicas clássicas da escultura moderna, envolvendo peso, volume, tensão e fragilidade".
Também destacou "a sensibilidade e variedade de materiais escolhidos, bem como a transfiguração poética dos objetos quotidianos, também expressa nos títulos dos seus trabalhos".
O prémio, no valor de 7.500 euros, vai ser hoje entregue, às 18:00, numa cerimónia que decorrerá no Centro Cultural de Cascais, onde também será inaugurada a exposição com as obras dos quatro artistas - todas elas instalações - patente até ao dia 29 de maio de 2011.
Renato Ferrão é formado em escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto. A última exposição individual foi realizada em 2009, na Fundação de Serralves, no Porto.
Organizado pela União Latina, o prémio bienal é patrocinado pela Fundação D. Luís I, e realizou-se este ano pela décima vez.
André Guedes (2006), Bruno Pacheco (2004), Filipa César (2002), João Onofre e Rui Toscano (ex-aequo 2000), Patrícia Garrido (1998), Rui Chafes (1996), Marta Wengorovius (1994), Pedro Proença (1992) e Pedro Calapez (1990) foram os anteriores premiados.
O prémio não foi atribuído em 2008 por falta de apoio, mas foi retomado este ano, com o apoio da Fundação Dom Luis I.
AG.
Lusa/Fim


05/04/2011

Escritores Esquecidos 9

J. O. Travanca-Rêgo (1940-2003)



SUBSTÂNCIA

Perdeu-se, perdeu-se talvez a vida
no que ela tinha de válido –
no que ela tinha de grande:
No que ela tinha de próprio,
como (de um corpo) é próprio
ter cabeça  membros  tronco
e a alma de um gigante
com asas para o infinito!

- Um desespero GLORIOSO…
Recomeço eu escrevendo,
como quem num adjectivo
fosse encontrar o perdido –
sua alma omnipresente,
tão leve como alguns ventos
quando são sopro da Vida…
Mas, lembro-me logo:

“Os adjectivos são acidentes,
- diz Margarida, amiga minha,
na senda do Aristóteles -:
Não implantam dentro ao Homem,
a semente que lhe escapa…
E apenas por fora pintam
umas asas que não abrem
no seu tronco que vai cego
como um Ícaro perdido!”

Olha que não, olha que não
- redigo eu inconformado -:
De desespero, estou farto:
de desespero simples como o dos cães,
sem duas pernas
– sentados…
Agora se for GLORIOSO, e com maiúsculas escrito,

talvez alma dê-me um pouco –
dê-ma de novo e eu possa
gozar da vida a substância,
como antes de ter perdido
o que era grande (ou era louco):

- Umas asas de gigante,
minha alma sem distância
do Longe e do Invisível!

Travanca-Rêgo, Da Poesia: dois segmentos, pp. 18-19, Black Sun Editores, Lx, 1999.   



29/03/2011

Homenagem


A... Ângelo de Sousa (1938-2011)


Foi mais ou menos assim...


Lançamento do livro Rendimento Mínimo e Revista Piolho n.º 4 na Livraria Gato Vadio em 27.III.2011.
(arquivo fotográfico de Bruno Diogo)

pág. 5 do livro 'Rendimento Mínimo' - A. daSilva O.


pág. 9 do livro 'Rendimento Mínimo' - Rui Azevedo Ribeiro.


Ficha Técnica do livro 'Rendimento Mínimo'

O livro 'Rendimento Mínimo' é um opúsculo de 16 páginas contendo dois poema - um de A. daSilva O. e outro de Rui Azevedo Ribeiro. Foram editados 300 exemplares. Para mais informações envie-nos um email para edicoes50kg@gmail.com

Em restauro

As Edições 50kg acabam de adquirir um prelo de provas. Apesar de uma camada de ferrugem o rolo está bem conservado e o carreto desliza perfeitamente. Penso que será um restauro rápido e fácil. E se tudo correr bem será uma excelente aquisição para a editora.

23/03/2011

Lançamento do livro 'Rendimento Mínimo"



No Domingo 27 de Março, às 17H00, será lançado o livro Rendimento Mínimo das Edições 50kg dos autores A. Dasilva O. e Rui Azevedo Ribeiro (a capa é da Ana Ulisses). Decorrerá na Livraria Gato Vádio na Rua do Rosário, 281 - Porto.

Também será lançado o número 4 da revista de Poesia Piolho.


Sobre o Rendimento Mínimo: "Não fizemos nenhuma elegia à pobreza e muito menos lhe alceamos virtudes. E a haver queixas é sem queixume. De um mote de ajuntamento, de uma condição em comum, fiz ao A. daSilva O. uma proposta. Um poema dele e outro meu fazem este livro."

Rui Azevedo Ribeiro

Compareçam!...

20/03/2011

Dia Mundial da Poesia

Hoje no CCB...

Diga lá um Poema
Foyer da Galeria Mário Cesariny Piso 1
O público é convidado a dizer poesia em frente a uma câmara num espaço informal montado como um estúdio de gravações com estrado e microfone. As gravações são transmitidas em diferido em vários écrans distribuídos pelo CCB.

O Jogo e o Caos
Exposição de Mário Botas (1952-1983)
Bengaleiro Norte Piso 1
Uma seleção de cerca de 80 desenhos do artista-médico que desenvolveu a sua curta carreira a partir de 1971, em que as referências literárias e poéticas percorrem um universo visual inquietante, de grande riqueza simbólica. Em colaboração com a Fundação Mário Botas.


14:00 - 15:30

ARTES POÉTICAS - De poesia e de vida
Sala Eugénio de Andrade Piso 1
Workshop com António Carlos Cortez*
Do modo como ela se tece e se contorce, do seu trabalho, da sua técnica, dos modos vários em que a poesia apresenta como linguagem estranha.
De poesia falemos. Depois de termos, no ano passado, viajado por alguns poemas portugueses, desde a Idade Média, passando por Camões até à actualidade, eis que, agora, faremos um percurso contrário: como falar de poesia, que é no fundo a poesia, quando lida por poetas de hoje? Lendo e dando a ler a melodia, a música das palavras, dando livre curso à imaginação, à palavra poética como palavra transfiguradora, falaremos, pois, de poesia. Assim, viajando no tempo das palavras, veremos (porque ler é ver) poemas de Ana Luísa Amaral, Irene Lisboa e Adília Lopes, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz, Fiama Hasse Pais Brandão, Luiza Neto Jorge, Maria Teresa Horta, João Rui de Sousa, António Ramos Rosa, Herberto Helder, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, David Mourão-Ferreira, Mário Cesariny, Fernando Echavarría, Eugénio de Andrade, Alexandre O'Neill, Manuel Gusmão, Luís Quintais, Luís Miguel Nava, Carlos de Oliveira, Ruy Belo, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro vendo a ideia de poesia e de poema em alguns textos destes autores. Falemos, assim, de poesia.
*
Professor de Literatura Portuguesa. Poeta e crítico literário.
Colaborador do Jornal de Letras e de revistas da especialidade, Relâmpago (Fundação Luís Miguel Nava) e Colóquio-Letras (Fundação Calouste Gulbenkian)
Publicou cinco livros de poesia, o último dos quais "Depois de Dezembro" (Licorne/ Casa do Sul, 2010)

14:30
De viva voz
Sala Luis de Freitas Branco Piso 1
Poetas e outras personalidades dizem poesia sua ou de outros.
Apresentação e coordenação
Elisabete Caramelo
Convidados Fernando Echevarría / Filipa Leal / Jaime Rocha / Armando Silva Carvalho / Pedro Mexia / Gastão Cruz / Pedro Tamen / Margarida Vale de Gato / Nuno Júdice / Miguel Manso / A. Dasilva O. / António Carlos Cortez

14:30
Maratona de Leitura

Sala Fernando Pessoa Piso 2
Seleção de poemas de Herberto Helder ditos por diferentes personalidades.
Apresentação e coordenação Pedro Lamares
Convidados António Mega Ferreira / Paula Morão / Isabel Alçada / Fernando Pinto do Amaral / Gabriela Canavilhas / Paulo da Costa Domingos / Lídia Jorge / Maria João Seixas / Diana Pimentel / Inês Fonseca Santos / Filipa Leal / Diogo Dória

14:30 - 16:30
Conferências
Sala de Leitura Piso 1
14:30 > Diana Pimentel
Grande plano, montagem, ar falado: o macropoema de Hérberto Hélder

16:30 > Gil Heitor Cortesão
“Harmonizam-se os sons, os perfumes e as cores” (Charles Baudelaire, As flores do mal)
Gil Heitor Cortesão aborda a questão das correspondências entre as artes visuais e a literatura, destacando a originalidade e “excentricidade” de Mário Botas.

15:30
Rodrigo Amado
Un Certain Malaise
Sala Almada Negreiros Piso 2
Rodrigo Amado (músico e fotógrafo) constrói uma narrativa imaginária com música e imagens em torno da temática de Os Passos em Volta e do próprio universo pessoal de Herberto Helder.
Rodrigo Amado Saxofone e imagens
Gabriel Ferrandini Bateria

17:30
Social Smokers
Magnetic Poetry
Sala Almada Negreiros Piso 2
Os Social Smokers aproveitaram o 1º Concurso de Poetry Slam, realizado em Portugal, para encetar um projecto transversal de spoken word, música e imagem. O espetáculo apresenta diversas criações do seu primeiro disco, editado em Portugal. A formação reúne: Silva o Sentinela, Jorge Vaz Nande e Biru nas vozes e autoria dos poemas e Alex Cortez no baixo, programações, teclados e composição musical. Os Social Smokers contam habitualmente com a participação de José Lencastre (saxofone), Sérgio Costa (guitarra e teclados), Ivo Palitos (bateria e percussões) e João Pedro Gomes (vídeo).

Social Smokers
Magnetic Poetry

Exposição de Fotografias de João Silveira Ramos
Foyer da Sala Almada Negreiros Piso 2
Para assinalar o Dia Mundial da Poesia, os Social Smokers e a Galeria Monumental, com o apoio do CCB, promovem esta exposição sobre o tema “Magnetic Poetry”.
Projeto apoiado pelo Festival Silêncio!


Para consultar o programação completa: http://www.ccb.pt/sites/ccb/pt-PT/Programacao/Literatura/Pages/DIAMUNDIALDAPOESIAMAR2011.aspx

13/03/2011

O Número 4 da Revista Piolho

«Tu numeris elementa ligas» Dragonetti




Com as participações de Erberto H. Elder, Vasco Desgraça, António Lobo de Carvalho, Joël Basso, Pedro de Melo Fonseca, Miguel Oliveira, Joaquim Barlavento, Charles B. Trak, Atília Oops, Mário de Sá Cordeiro, Doutor Três Pescoços, Jonh Resistence, Phil Lupi , Joe Texas, Jorge Barros, Oliveira Martins Roxo, ARL, Emanuel Frieiras, Animal Licorne, Lurdes Terracota, (ilustrações), Grupo Porteño,Pedro Calcoen, Jack B. Daniels

número dedicado à heteronomia. Março 2011

Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.

Da luta...

foto tirada por Ana Ulisses

05/03/2011

Foi mais ou menos assim...


Segunda série das jornadas Galego Portuguesas da Edição
Independente... Até dia 18 de Março.

Livraria Gato Vádio em 26-03-2011

Alguns oradores a partir da esq. (Mula, Edições Mortas + Madame Best Seller aka Krida, Estaleiro Editora e Oficina do Cego)