“
- agora que percorrer o mundo já não é, como no século XV,
empreendimento de grande confusão, alarido e dano. Com todos os
nossos mares aclarados, nenhum tenebroso, e divertidos hotéis
boiantes para os atravessar, providos de adega, de inglesas
sensíveis, - milhares de sujeitos, constituindo já uma classe,
possuindo já um rótulo, globetrotters
(trotadores do globo), trotam, assobiam, dão vivamente a volta ao
Mundo, com a facilidade, se não a filosofia, do fino De Maistre
dando a volta ao seu quarto. Mas estes sujeitos trotam, «para se
dissiparem, não para se acrescentarem», segundo a forte expressão
eclesiástica – e no seu trote contínuo através dos continentes
vão assobiando, porque não vão pensando."
30/09/2017
SOBRE VOTAR…
“Depois,
a presença angustiosa das misérias humanas, tanto velho sem lar,
tanta criancinha sem pão, e a incapacidade ou indiferença de
monarquias e repúblicas para realizar a única obra urgente do mundo
«casa para todos, o pão para todos», lentamente me tem tornado um
vago anarquista entristecido, idealizador, humilde, inofensivo…
Anarquismo mesmo vago; tristeza, mesmo filosófica; idealização,
mesmo escondida não compõem um bom cortesão.”
Eça
de Queiroz, “Notas Contemporâneas”, pp.359-360,Livros do Brasil, Lisboa.
23/09/2017
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