25/07/2017

ENTRE BERNARDIM E SÁ CARNEIRO...


Vilancete

Entre mim mesmo e mim
não sei que se alevantou,
que tão meu imigo sou.

Uns tempos, com grande engano,
vivi eu mesmo comigo,
agora no mor perigo
se me descobre o mor dano.
Caro custa um desengano
e pois me este não matou
quão caro que me custou.

De mim me sou feito alheio,
entre o cuidado e cuidado
está um mal derramado
que por mal grande me veio.
Nova dor, novo receio
foi este que me tomou:
assim me tem, assim estou.
 
BERNARDIM RIBEIRO
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eu não sou, eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

MÁRIO SÁ-CARNEIRO
 
CORRUPTELAS DE O’NEILL E DE VITOR SILVA TAVARES
 
Sá de Miranda Carneiro

comigo me desavim
eu não sou eu nem sou o outro
sou posto em todo perigo
sou qualquer coisa de intermédio
não posso viver comigo
pilar da ponte de tédio
não posso viver sem mim
que vai de mim para o Outro
 
ALEXANDRE O´NEILL
 
 
 
 
 
 
Eu não sou, eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte do Tejo
 
VITOR SILVA TAVARES

22/07/2017

...


De acordo com Schmitt, é um sinal de cisão interior (…) ter-se mais do que um único verdadeiro inimigo”. A firmeza de carácter não permite uma “dualidade de inimigos”. É necessário enfrentar “combatendo” o inimigo único “para se ganhar a medida de si próprio, o limite de si próprio, a figura de si próprio”. Deste modo, o inimigo é “a nossa pergunta própria enquanto forma”. Também um único amigo verdadeiro seria prova de firmeza de carácter. Schmitt diria: quanto menos carácter e menos forma se tem, quanto mais liso e polido e mais escorregadio se é, mais friends se tem.
O Facebook é um mercado da falta de carácter.”

Byung-Chul Han, “A Salvação do Belo”, pág. 62, Relógio D'Água, 2016.

20/07/2017

Restauro...

Recuperação de uma velha prensa de encadernação...












Et voilá!... Um restauro catita!

...

"Etimologicamente, desastre significa sem estrelas (do latim des-astrum)".
 
Byung-Chul Han, "A Salvação do Belo", pág. 53, Relógio D'Água, Lx, 2016.
 
"(...) O desastre significa "estar separado das estrelas."
 
Byung-Chul Han, "A Salvação do Belo", pág. 55, Relógio D'Água, Lx, 2016.
 
"A actual calocracia, ou império da beleza, que absolutiza o saudável e o polido, elimina justamente o belo. e a mera vida saudável, que hoje assume a forma de uma sobrevivência histérica, converte-se no morto, naquilo que à falta de vida, também não pode morrer. É assim que hoje estamos demasiado mortos para viver e demasiado vivos para morrer(1)."
 
(1) certamente uma ideia retirada de Foucault no Nascimento da Biopolítica.
 
Byung-Chul Han, "A Salvação do Belo", pág. 58, Relógio D'Água, Lx, 2016.