20/06/2012

Dia 24 de Junho, às 17h00...


«A MÃO AO ASSINAR ESTE PAPEL»

EXPOSIÇÃO / VENDA

de

'poemas manuscritos'


Rua dos Correeiros, n.ª 60, 1.º Esq.
1100-167 Lisboa


dia 24 de Junho às 17h00


18/06/2012

"Subsídio para o suicídio".

"Um dia - como quase todos - acordei sereno estremunhado à noite. Estava farto do mundo em geral e de Portugal em particular. A cortesia era: vou-me matar. Saiu-me isto mas houve uma resposta porreira do outro lado. O que é mais divertido é que a comunicação social estrangeira percebeu que eu estava a brincar. 
Portugal não."

J.C.C.
Rua da Lapa XX-X,
1200 Lisboa

Ex.mo Sr.
De certa forma desenquadrado de e epidermicamente hostil ao tão inculto Surrealismo nacional (movimento irreversível que consiste em Surrar - O - Realismo às Minorias Absolutas através das Maiorias Anónimas) e na fiel linha lunática, tradição suicida e corrented'ar estética da Poesia Portuguesa, venho por esta brevíssima e humilde missiva solicitar à Fundação Gulbenkian, sempre tão prestável e atenta, uma urgente audiência (na pessoa da V. Ex.a com quem, como tenho vindo ao longo dos anos a constatar e sem qualquer lisonja hipócrita, as novas gerações mais prezam o diálogo civilizado e o respeito pela inteligência) audiência essa destinada à concessão de um mísero (face aos vossos fartos recursos) subsídio que, não sendo por certo habitual pedir nem provar, muito honraria o brilho da vossa já quase secular instituição, contribuindo para uma nobre, sã, airosa, decidida e eficaz saída do meu penoso caso lírico pessoal.

Assim sendo, e não ousando abusar muito mais da infinitamente piedosa e tolerante curiosidade de V. Ex.a, passo d'imediato a expor o detalhado rosário de inconfessáveis e vis matérias primas ou sinistros objectos que me propus atribuir um (eventual) orçamento: um revolver (50 mil escudos); munições adequadas (20 mil escudos); um socrático litro de sicuta, um cálice de cobre e uma rodela de manga, para a hipótese de a primeira tentativa se amedrontar (P.V.); algum cianeto e bastante nitroglicerina, para a hipótese da segunda tentativa não passar de um romântico aperitivo ou de uma inconsequente chantagem moral (preço a regatear); cremação do corpo e lançamento de cinzas ao Tejo (500 mil escudos); cachet de 20 palhaços da Companhia de Circo de Lisboa para a citada ceremónia fúnebre (250 mil escudos); cachet da Banda dos Bombeiros Voluntários que chegarem primeiro executando a canção das Crianças Mortas de Mahler, na ocorrência (500 mil escudos, com descontos para poetas e afins); arredondando a coisa deve andar lá perto dos 1000 contos, o que é isto nos tempos que vai correndo? Convenhamos que toda a Morte que se estime não olha a meios para dignificar os seus fins...

Esperando contribuir coma minha modéstia para uma lufada na monotonia da correspondência de que, desejo temê-lo, V.Ex.a será vítima, e desde já agradecendo o vosso empenho generoso, sem mais por ora me subscrevo, com admiração pela paciência de santo de V. Ex.a, exalando confiança, irradiando ansiedade.

Joaquim Castro Caldas 



E aqui a resposta....

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa - 1, PESSOAL

Ex.mo Senhor Joaquim Castro Caldas
Rua da Lapa XX/X
1200 Lisboa

Lisboa, 31 de Julho 1987

Caro Senhor,

Tenho a honra de acusar a recepção da carta da Vossa Senhoria, sem data mas com lata, na qual solicita subsídio que lhe permita morrer com pompa (e não troco os bb pelos pp) e circunstância.

De início interroguei-me sobre a questão de saber em qual dos quatro fins da Fundação Gulbenkian (artísticos, educacionais, científicos e caritativos) tal desiderato se podia inscrever, mas rapidamente cheguei à conclusão de que em qualquer deles, ou em todos concomitantemente, se inscreveria.
Pensei então em pedir o aliás douto parecer da Agência Barata (se bem que intuitivamente eu adivinhasse que ela qualificaria o orçamento apresentado de sumptuário), mas referi, antes disso, procurar nos nossos arquivos antecedentes pedidos para o mesmo fim e verifiquei sem surpresa que - dada a premente necessidade de reduzir as nossas despesas - todos os numerosos apoios financeiros requeridos para viagens alternativas para Inferno, Céu ou Purgatório foram invariavelmente negados e, como é óbvio, não me parece curial a criação de precedentes.

Nestes termos, sinto informar a V. Ex.a que não é possível atender a solicitação que me dirigiu, ainda que lamente o consequente facto de ficar condenado a viver mais alguns anos. A não ser que - se me permitir a sugestão - opte pela solução da corda, do gancho e do banquinho, solução que, por ser barata, poderá até ser apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura. Ou ainda (porque não?) - e eis uma variante absolutamente gratuita - a solução do lago do Campo Grande, desde que obtida prévia autorização do Senhor Eng. Nuno Abecassis.

Entretanto sou de V. Ex.a
Atentamente até ao Outro Mundo,
e muito mais depois,

Pedro Tamen

06/06/2012

Farewell Ray Bradbury

Morre Ray Bradbury, autor de 'Farenheit 451', aos 91 anos


O escritor Ray Bradbury na premiação do Sindicato dos Diretores em 2008
O escritor Ray Bradbury na premiação do Sindicato dos Diretores em 2008 (Getty Images)
Morreu na manhã desta quarta-feira, aos 91 anos, o escritor americano Ray Bradbury, autor de Farenheit 451. Em seus mais de trinta livros, o escritor foi do horror à ficção científica - gênero do qual tornou-se referência, com narrativas de teor político. Publicou também clássicos como As Crônicas Marcianas, histórias espaciais escritas nos anos 50, e Algo Sinistro Vem por Aí, sobre garotos que enfrentam seus medos e frustrações, representados por monstros de um parque de diversões itinerante.
Em Farenheit 451, seu livro mais icônico, escrito em 1953, Bradbury conta a história de um tempo em que bombeiros se convertem em mantenedores da ordem social e incendeiam livros ou qualquer publicação que transmita informações. Em lugar de prateleiras, as paredes das casas possuem telas gigantes que exibem cenas de outras famílias, com as quais se pode dialogar. A obra foi considerada uma metáfora crítica de regimes políticos opressores e anteviu transformações sociais simbolizadas hoje pelos reality shows, junto com 1984, de George Orwell. As Crônicas Marcianas, outro clássico de Bradbury, narrou as histórias da colonização de Marte e criticou indiretamente as paranoias americanas surgidas a partir da II Guerra Mundial.
“Uma bela luz se perdeu no Cosmos”, declarou Sam Weller, biógrafo oficial de Bradbury. Danny Karapetian, neto do escritor, destacou uma passagem de O Homem Ilustrado, seu livro preferido do avô, em que um homem convive com tatuagens que têm vida própria: “Minhas músicas e meus números estão aqui. Eles preencheram meus anos, os anos em que me recusei a morrer. Em função disso escrevi, escrevi, escrevi ao meio-dia ou às 3h da manhã. Para não morrer”. “Seu legado reside em sua obra e, principalmente, nas mentes que o leram, pois lê-lo era conhecê-lo. Foi o maior garoto que conheci”, disse.


Confira leituras essenciais de Ray Bradbury, segundo o blog de seu biógrafo oficial (em inglês)

retirado daqui

Francamente Antoine Doinel, pró que te havia de dar...


01/06/2012

Um lembra o outro...


A LENDA DO CHINÊS DAS GRAVATAS

Chinês.

A paciência de vender da gravata
até à última.

Chinês.

A paciência de caçar da mosca
até à última.

Chinês.

Fúngala! Fúngala!

Dizíamos nós, meninos,
esfregando o nariz entre o médio e o indicador,
enquanto saltitávamos em torno do chinês das gravatas
numa grande assuada.

Fúngala! Fúngala!

E então ele saiu de Portugal, voltou à China
e caçou da mosca até à última.

Alexandre O’Neill in ‘De Ombro na Ombreira’, 1969.


"China proíbe mais de duas moscas nas casas de banho públicas
Publicado em 2012-05-23 Jornal de Notícias

Duas moscas é o número máximo de insetos que as casas de banho públicas de Pequim vão poder ter. Esta decisão está a agitar as redes sociais chinesas, onde se ridiculariza a medida.
As casas de banho públicas dos aeroportos, estações de comboio, centros comerciais e supermercados de Pequim vão passar a ser inspecionadas, de modo a garantir que o limite de duas moscas não é excedido.

foto DR

Medida é ridicularizada nas redes sociais

De acordo com a informação avançada pelo Gabinete de Imagem da cidade, "se houver mais de duas moscas, o wc público perde 1,33 pontos de um total de 100", sendo que, até agora, "a maioria dos locais inspecionados não excedeu o número de moscas imposto, tal só aconteceu nos mal administrados".
Para cumprir com a nova medida, os funcionários de limpeza responsáveis devem implementar inúmeros sistemas para acabar com as moscas. Aparelhos elétricos, películas de cola ou inseticidas são as opções para a exterminação dos insetos.
Em declraçõe ao "Diário de Pequim", Xie Guomin, do Gabinete de Imagem de Pequim, destacou que em cada casa de banho vai existir um número de telefone para fazer denúncias.
A medida está a agitar as redes sociais chinesas, nas quais os utilizadores ridicularizam a medida.
Sobre a existência de um telefone dentro da casa de banho, uma jovem universitária questiona: "quem vai ter tempo para fazer uma chamada num local do qual se quer sair o mais rapidamente possível?".
Outros utilizadores da "Weibo", a rede equivalente ao "Twitter" na China, escrevem que seria muito mais eficiente melhorar o nível de limpeza das instalações, ao invés de se preocuparem com matar moscas.
Para além das moscas, o Gabinete também recomenda a promoção do uso do tanque de água nas casas de banho públicas e esvaziar os depósitos de lixo utilizados com mais frequência."