31/05/2012
30/05/2012
«O Barão» do Branquinho da Fonseca em versão liceal...
| Branquinho da Fonseca |
1
A tez mais clara... Pariu um nome. Branquéla ou branquinho, é o que os outros manos me chamam... Puta que os pariu... Vêm todos com aquela cena de sermos todos uns escravos e tal... Sou pintor... Yah... gráfites... Tenho nome na rua... O people já conhece as minhas cenas... São diferentes, e em sítios que é uma ’ventura chegar lá... No meu bairro tem lá muitas cenas, antigas... writings... Mas é uma cena que já me desinteressei... Gosto de diversificar... A cena que mais curto é pintar comboios... Vou sempre pintar sozinho... Preciso de calma para pintar... Se alguém vai comigo só faço merda... Curto pintar! É uma cena que acalma, tás a ver! As ideias vêm-te à cabeça «vrum-vrum», é uma nitidez! Mas para pintar bem, é preciso estar muito tempo quieto... Pensar, ver... Ninguém que eu conheço tem muita paciência... Por isso não levo ninguém atrás... A cena cansa... Exige certa monotonia... Entusiasmo-me com paisagens diferentes e pessoas diferentes, e povos diferentes... E isso vê-se no que pinto!... Mas se for sempre esse o assunto também cansa.
2
Estava a pintar nas paredes de uma escola primária que já tinha estabelecido como spot nos meus passeios... Quando chegou uma pequena... E ficou a olhar a cena... E eu não gosto que ninguém esteja a ver o work in progress... Não me sinto à vontade!... Sentei-me no degrau da escada a fumar... Ela até estava na descontra, não era muito bonita, mas tinha uns olhos curiosos... E dois dedos de testa... E até gostei dela se ter sentado comigo na escada, fez-me algumas perguntas e foi ela que explicou, pelo alto, que a maior parte das pinturas daquela zona eram dum tal de Barão... E que essa parede era muitas vezes pintada por ele, e que se calhar ele não ia gostar que pintassem ao pé das suas cenas. Depois mudou de assunto e começou a falar da vida no seu bairro, e das histórias do pessoal que se vai safando!... E outros que não!... Mas no fundo, até tinha uma visão optimista. Falei: “Yah, somos todos uns inadaptados!” Disse a cena, mas era mentira. O ser humano é o animal mais adaptável!... Ela ergueu-se, acho que se assustou, quando disse que “yah, é mesmo isso!...” Acho que não gostou de se ouvir... Deve ter achado que se tava a conformar, sei lá!... Passado um nico... Ouço um assobio... Um cão, daqueles fodidos, estava já a cheirar as minhas latas! Por trás de mim, aparece um tipo grande, de boné preto e capuz por cima do boné, tudo preto, disse longe, parando, baixinho:
“-Tudo!”
O gajo era big... Novo, mas um aspecto bruto, de quem já viu muitas cenas fodidas... Andava devagar, aquela cena impressionou-me... Ele mexia-se: ou lento ou lentamente, era as suas duas velocidades, as suas duas mudanças... Mas estava na sua zona, andava à vontade, sem stresses, parecia o dono daquela merda toda... Olhou para a minha pintura e mirou-me de esguelha com um certo ar de desprezo!... Pensei que estava fodido!... Mas de repente a cara mudou, a rir perguntou-me donde vinha e quem era. Aquilo ainda me deixou mais tenso... Pensei que tivesse a fazer de bonzinho... De amiguinho... Para depois me fazer a folha... Aquela jogada do bad e do good cop... A ver se cola!... Mas o gajo nem ouviu o que eu disse, continuava a rir e a falar. Passado um pouco, pensei que este tipo até é porreiro, o Barão era, afinal, uma pessoa de bem. Mas fui reparando, que o people não se sentia muito à vontade ao pé dele. A pequena, tão faladora, parecia uma parvinha muda... E à primeira oportunidade bazou. Eu achava-o básico... E meio labrego... Mas até estava a achar piada a isso... Disse-me que era o seu convidado para ficar no bairro, inventei bué de histórias... Que não podia... Que tinha que ajudar a minha mãe & tal!... O gajo não quis saber. Que não lhe ia fazer a desfeita... Pôs a mão no ombro e aquela merda é muito África ou então de ciganice, vi logo que tava enrascado e que não me ia safar facilmente... Rematou com um: “- Quem manda aqui sou eu!” Voltou por instantes a ter um olhar fodido, para logo mudá-lo para um sorriso meio parvo... Achei que tava naquela, de ter encontrado um outro pintor, e que queria conviver e mostrar-me aquele meio. Pegou-me pelo braço, e disse que gostava de ter convidados... Disse-me que eu deveria era ficar lá uma semana e, que se quisesse, que mandasse vir amigos e amigas... Que cena!... Pensei... Respondi que no máximo podia estar dois dias, mas ele endureceu outra vez a cara e respondeu não sei se a brincar ou a sério:
“- Vai-se ver. Quem manda aqui sou eu!”
Puta de sacanice, tou fodido... Este gajo parece maluquinho... Fiz finca-pé no assunto e disse que não podia demorar mais, e que me lembrei que tinha cenas para fazer amanhã de manhã, e que tinha de ir agora, já, para preparar as coisas.
“-Que coisas!” Disse com desprezo. Pondo-se de pé! Levantei-me também e pus uma cara de ofendido pela pergunta. Mas o gajo riu-se e disse:
“- Deixe lá essas coisas!” E voltou a pôr uma das mãos no meu ombro e a caminhar-me em direcção ao bairro... Estava marado!... A facilidade com que fiquei sem a minha liberdade, já estava a estudar um corredor de fuga para me pôr a correr... Quando o Barão, disse já com a cara simpática:
“- Desculpa, não tenho jeito, estas maneiras de falar. É brincadeira... Gosto de brincar com coisas sérias.” Mudámos a conversa... Fiquei curioso... E quis saber mais coisas dele... Continuámos a andar... E já estávamos bem no interior do bairro...
“- Na segunda-feira temos aí uma malta da cena de Coimbra, e umas sócias, que é o fim do mundo! Conheces Coimbra? Pois claro! Quem é que não conhece Coimbra? Até já pintei um burro numa parede de Coimbra. Quando cheguei à Universidade compreendi que aquilo é para burros. Vim a casa, meti as minhas latas no comboio (era um burro preto, uma estampa!... em stencil...) E allez para Coimbra. Juntei o gang, fomos em procissão até à Porta Férrea e ali, de cima do leão, gritei às massas:
- Há aí alguém que tenha dúvidas de que isto (e apontei a Universidade) é para burros? Responderam todos como um trovão. «Naaaão!!!» Pois então, este que tenho aqui vai tomar capelo. Entrámos no pátio da Universidade e pintámos o burro. Com a frase doutorado em Direito. E de capelo e capa... E o caloiros a olhar!... Mas tenho muitas histórias em Coimbra se começo nunca mais acabo...”
3
Chegámos à frente das barracas... Senti um cão a cheirar-me as pernas... Não sei se era o mesmo... Mas parecia tão fodido pra luta como o outro... Acendeu-se uma luz. Havia mais gente. Mas tudo parecia abandonado há muito ano, onde entrámos com não sei que inquietação são ilhas... Estas, ao primeiro olhar, parecem desertas... Yah!... Isso sim é que era uma cena... Se tudo tivesse deserto!... Ma não!... O Homem aguenta!... Luta!... E somos nós que nos traímos. A vida não é só ganhar dinheiro. Isto é só no início! Para acalmar as necessidades físicas... Tás a ver, aquela cena da pirâmide. (Yah, Pavlov!) Que Pavlov que quê! É Maslow! Yah é isso, enganei-me! Ou dizes a cena direito ou então cala-te!... Mas tava a dizer-te que as forças bazam todas, ao tentar ter o que o people deveria ter de graça... E que só não temos porque os homens se atraiçoam uns aos outros... São inimigos. Isto não é vida! Não pode ser... O melhor que tenho a fazer é bazar desta merda... Ir para os montes, caçar e plantar como os antigos... Tá tudo parado aqui!... E eu também tou para aqui a atrofiar como muitos... A ficar maluco!...
O Barão também é daqueles que tão a atrofiar... Mas acho que não entende estas cenas como eu... Tá na dele... A vigiar para que a merda não descambe do seu controlo... Às vezes tinha uma tirada feliz e esperta, e até parecia que era um rei que falava... Mas só às vezes... É um duro, tem de ser para sobreviver neste bairro... Tem de ser como um animal bravo!... Mais instinto que cabeça...
Disse-me para não tirar o casaco que à noite é um briol... Aquilo estava cheio de buracos e entrava frio por todo o lado. O Barão ficou também com o capuz... Sentámo-nos num colchão... Eu estava com fome... Mas, não disse nada. Sacou de um saco plástico com uma ganza, fez a cena e deu-me para acender... Disse-lhe que fumasse ele que eu tava de estômago vazio!... Chamou-me preconceituoso, e acendeu o charro dando um bafo fundo, começou logo a falar como se aquilo tivesse batido logo... E ia dando pequenas passas... Havia uns panos a fazer de cortinas numa porta que abanavam com o vento... Eu ainda pus-me a olhar, naquela, a ver se aparecia mais alguém. A ver se o Barão tinha mais people dele, ali. Mas estava tudo num silêncio, e a barraca era maior do que pensava. O Barão continuava a contar as suas aventuras, eu às vezes desligava... E estava mesmo com fome. Já tinha olhado algumas vezes para o relógio, mas meio escondido, resolvi ficar vidrado nele, eram dez horas da noite, e eu já não comia nada desde do meio-dia... O Barão continuava a contar os seus filmes, a cagar-se se eu o ouvia ou não... Estava a falar para si... E aquilo via-se que era um gosto para ele... Começou por contar histórias cómicas de lutas e de coragens, mas agora, as histórias tavam a ser cada vez mais tristes e sentidas.
Tava a olhar para trás com saudades... A sentir mesmo a cena... Levantou-se e
pôs-se logo a fazer pouco de tudo o que disse. “O passado!... Mas o que somos,
senão o passado? Fazemos uma cena e já é passado. E não podes mudar a cena!...”
E sentando-se deu mais duas passas... Eu estava fraco, a olhar prá ganza, nas
mãos grossas do Barão a ser esmigalhada... Não sei se aquilo lhe tava a
bater... Ou se ele, só fazia charros para ter o que fazer... Fumava mais um, eu
olhei outra vez para a cebola... Dez e meia. Onde é que vou comer a esta hora?
O Barão tava outra vez no esmigalha.
“- Não te bate mal sem comeres nada?”
“- Nunca como...”
Tou fodido! Eu com uma larica e em casa de um gajo que não
come!
“- Pois eu já trincava qualquer coisa.”
Virou a cara para a cortina da porta e berrou:
“- Jasmin!”
“- Desculpa, men... Quem me conhece... Não faz cerimónias.
Não faças cerimónias!”
“- Yah...”
Entrou uma tipa alta, bem-feita, de nariz no ar, e o cabelo
esgrouviado de quem acordou agora. E a fazer que não me via. O Barão sempre a
tangar não sei sobre o quê... Nem sei se viu-a a entrar, mas ela cortou-lhe o
pio com um:
“- Que é...” Que era mais um grito...
Pensei que ia haver estrondo... Já tava a vê-la levar com uma
cena qualquer na tola, mas não. Fez um sorriso à Barão, que um gajo não sabe se
é a sério ou no gozo:
“- Este meu velho mano... Quer cumprimentar-te... E quer que
tragas alguma coisa que se trinque...”
A gaja era boazona. E no pico do seu prazo: deveria ter sido
grande toura. Percebia-se que tava ali em casa... À patroa. Bazou para dentro,
e eu fiquei a olhar para o abano que fez na cortina. O Barão sacava mais umas
passas, no mesmo ou noutro... Sei-lá!... Mas agora tava calado. Eu só pensava
no que ela me ia pôr à frente... Saquei de um cigarro para empurrar a saliva
para baixo...
“- Tens de ficar cá pra’i uma semana... Para veres bem as
cenas que por aqui se passam... É cada filme, não tás a ver...”
“- Yah, era fixe... Mas não posso. Não sou livre...”
O Barão pôs o seu sorriso... Mas estranhei não ter teimado.
“- Esta gaja tá sempre a fazer-me lembrar certas cenas...
Não dela... Outras merdas... Esta é uma vaca como as outras... Eu às vezes
vendia as minhas conquistas... Sabes a quem?... Ou meu velho... Vê lá a cena...
Trocava-as... Quando precisava de guíto... Ou de outras cenas... Ele até se
babava... Agora já não!... Não quero nada a ver com essas merdas... Tou mais
frio...” (sorria à sua maneira). Passado um coche ao atascar novo charro:
“-Tu... Já curtistes mesmo a sério alguma miúda?”
“- Não.”
E fiquei calado, para puxar a conversa ao gajo... Mas o tipo
já se tava a arrepender... Já não queria abrir-se. Aquilo pra mim era
divertido... Vê-lo entalado... A querer falar... Mas depois a bufar só ar... Depois
lá arrancou, mas não se descoseu!... Falava apenas duma tipa por quem tinha
tido uma paixão, não disse o nome, era apenas uma «Ela»... Mas a cara de enjoado dele já me tava a tirar
o apetite... Tentei virar a coisa prás pinturas.
“- Isso não interessa... Mas d’Ela também não tem
interesse... Tem, mas não tem... Tás a ver?... Uma vez pintei-a... Mas depois
alguém borrou por cima. Não sei se ela o viu antes. É a única que ainda dói... Tás
a ver?... Mas agora, para mim a cena é mais animal... Ou fode, ou vai-se
foder... São todas putas... E pra mim, tá bem!... Quando precisava de dinheiro
levava fêmeas reles ao meu velhote... O gajo era uma javardo... Devia pensar
que tava em África a cobrir pretas...”
A Jasmin entrou, e desembrulhou um papel vegetal com bocados
de frango de churrasco e batatas fritas de pacote. Não deitei atenção a mais
nada. Até que depois de ter devorado a cena, voltei a escutar o que Barão dizia.
Fodasse, tava bem melhor... Até me encostei pra trás... E acho que pus um
sorriso como o do Barão...
“- ...Uma vez cheguei lá casa. E era ele que tinha arranjado
uma... Ele só arranjava merda, mas aquela até era séria... Andava à minha volta
fodido a querer-me ver dali pra fora... Para se pôr em cima da gaja à
vontade... E eu nada!... Ui!... Ficou bravo!... Saiu pra tomar um copo... E pra
ver se eu me chateava e bazava... Mas enquanto tava fora. Adivinha?... Fui eu
que trepei na gaja. Vinguei-me!...”
Passou-me o charro acesso... E eu afundei-me mais um bocado
no colchão...
“- Que cena?... A gaja ainda era chavalita... Agora me
lembro. Sangrou e tudo!... Eu no fim até pedi desculpa. Chi... Que cena marada...
E tive também que desaparecer por uns tempos porque o pai dela andava à cata de
mim pra me matar.”
“- Yah, que cena!...”
O Barão continuou a recordar mas agora falava mais para
dentro... Os charros é que continuavam a rolar... Mas agora era eu, de papo
cheio, que dava conta deles...
- Sou mesmo uma besta!... A sério, sou mesmo animal! Tou a
ficar como o meu velho. Puta que pariu!... Não... Não pode... Aquele sacana era
mais porco... Não tinha remorsos... Eu tenho!... Ele não respeitava nada!... Nem
a ele nem aos seus... Acredita... Ele era mil vezes pior”
Quando olhava pra mim, eu só abanava a cabeça... E se o gajo
se repetisse... Começava a abanar a cabeça pró outro lado... Era esta a
conversa... Mas o Barão foi-se a baixo... Isso via-se... Ergueu-se, e pôs-se a
olhar à procura de qualquer cena.
“- Jasmin!...”
“- Ei men... Deixa a 'tar a dormir...”
“- Foda-se, não faz mais nada... Quero que ouças uma cena...
Jaaasmin!... A cena pra ouvir música?... Onde tá?”
Ela chegou-se à cortina... Mas ficou no escuro.
“- Onde tá?”
“- Tu partiste-o...”
“- Aonde?... Chama-os!...”
Ela veio até junto de mim buscar o papel e os ossos e foi
para a rua!... Deve ter ido deitar fora ao lixo... Pra não ‘tar, ali, a criar
cheiro... O Barão voltou a sentar-se e enfiou a mão no saco... Passado uns
tempos no meio de um nevoeiro de ganza, ela aparece com um outro pacote de
batatas fritas prá gente... O Barão nem tocou nelas... Tava bem, não come!... A
mim a ganza dá-me uma fome...
“- Cheira este pólen!... É dos Páquis!... Arranjou-me um
amigo meu...”
Destapava o plástico... E dava-me a cheirar...
“- Vou fazer um deste, pra provares!... Manja este
cheirinho, tudo natural... Nada de químicos...”
A conversa, não sei bem como, virou prás gajas:
“- As brasileiras são boas pra caralho!...”
Discordei: Disse que as brasileiras só tinham unha e
bunda... Que não tinham mais nada... Que gostava mais das nórdicas, e das
alemãs... Eram mais malucas...
“- Nada... São umas insonsas... Eu gosto de carne... Sou
carnívoro... Gosto de uma gata com as unhas de fora... Dão luta!... É uma cena
de selva... Como se diz... yah!... Umas amazonas... Nunca se deixam domesticar,
tou-te a dizer a verdade…”
“- As suecas são assim...”
“- Naã... Só têm os olhos e o cabelo loiro... Que é uma cena
fixe!... Nisto não há tangas... É preciso ir lá... Com os dentes e com as
unhas...”
E olhava pra uma das suas mãos a fazer de garra... Estávamos
os dois muito ganzados com a cena paquistanesa... O Barão levantou-se:
“- Vamos brindar a uma gaja.”
E foi para dentro pela porta de cortina... Voltou com duas
cervejas de lata... Mas não conseguia abrir... Ficou com a cenita de abrir nas
mãos... Então empurrou a coisa para dentro com um dedo gordo... Eu abri a minha
sem problemas... Ergueu a lata para o brinde:
“- A que gaja?”
“- A única!”
Chegámos a lata à boca ao mesmo tempo... Eu dei um gole...
Olhei para o Barão que bebeu tudo de golada, amassou a lata e atirou-a pró
chão... Repeti-o: bebi tudo no meu segundo trago... Amassei a lata e depois
atirei-a pró chão... Naquela casa tudo ia ao tapete... Deu-me um tapa no ombro
e começou a rir... Eu ainda não o tinha visto rir daquela maneira, era uma cena
aberta... E simpática...
“- Vamos.”
4
Fomos lá pra fora... Andámos um pedaço às voltas no
bairro... Mas não me lembro do que andámos a fazer. E nem sei o tempo que
demorámos. Lembro-me de não termos visto ninguém... Às vezes parecia que
ouvíamos uns passos... Mas não víamos ninguém... Estávamos outra vez à porta da
barraca e entrámos. A Jasmin tava a apanhar as latas do chão...
“- Quero comer. E traz duas latas...”
Começou a rir, a rir... Eu também...
“- Ah... Sempre comes?...”
O Barão ria, ria... Eu também... Doía-me o peito de tanto
rir...O Barão olhava para a Jasmin com as latas amassadas nas mãos... Apontava-as
e escangalhava-se a rir...
29/05/2012
Salão Olímpico...
No ano
de 2003, eu e mais 4 artistas 'plásticos' [1]
iniciámos a programação de um espaço de exposição de arte contemporânea que
funcionou durante 3 anos num salão de bilhar de um café que conheceu o seu tempo áureo (no que diz respeito ao negócio em jogo) no final da década de 70
e na primeira metade da década de 80. Este salão de jogos do Porto (O Salão
Olímpico) situa-se na rua onde há uma grande concentração de galerias (A Rua
Miguel Bombarda). Em 2006 reuniu-se numa publicação, toda a actividade do Salão Olímpico, a edição é da Fundação Serralves juntamente com o Centro Cultural Vila Flor. A coordenação da publicação foi feita pelo artista José Maia.
Rui Azevedo Ribeiro
Entrevista de Isabel Ribeiro e José Maia
25/05/2012
Poema & lembrete...
SEM QUE EU PEDISSE, FIZESTE-ME A GRAÇA
Sem que eu pedisse, fizeste-me a graça
de magnificar meu membro.
Sem que eu esperasse, ficaste de joelhos
em posição devota.
O que passou não é passado morto.
Para sempre e um dia.
O pênis recolhe a piedade osculante de tua boca.
Hoje não estás nem sei onde estarás,
Na total impossibilidade de gesto ou comunicação.
Não te vejo não te escuto não te aperto
Mas tua boca está presente, adorando.
Adorando.
Nunca pensei ter entre as coxas um deus.
Carlos Drummond de Andrade in 'O Amor Natural'
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