21/12/2011
15/12/2011
13/12/2011
Dito com aquele respeito… do dó de peito!
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| Nicanor Sandoval Parra, (São Fabián de Alico, Santiago do Chile, 1914) |
"MANIFESTO
Senhoras e senhores
Esta é a nossa última palavra
- Nossa primeira e última palavra –
Os poetas desceram do Olimpo.
Para os nossos antepassados
A poesia era um objecto de luxo
Mas para nós
É um artigo de primeira necessidade:
Não podemos viver sem poesia.
Diferente de nossos antepassados
- E o digo com todo respeito… -
Nós sustentamos
Que o poeta não é um alquimista
O poeta é um homem como os outros
Um pedreiro que constrói seu muro
Um construtor de portas e janelas.
Nós conversamos
Na linguagem de todos os dias
Não acreditamos em signos cabalísticos.
Ademais, uma coisa:
O poeta está aí
Para que a árvore não cresça torcida.
Esta é a nossa mensagem.
Nós denunciamos o poeta demiurgo
O poeta Barata
O poeta Rato de Biblioteca.
Todos estes senhores
- E o digo com muito respeito…-
Devem ser processados e julgados
Por construírem castelos no ar
Por esbanjarem o espaço e o tempo
Redigindo sonetos à lua
Por agruparem palavra ao azar
Conforme a última moda em Paris.
Para nós, não:
O pensamento não nasce na boca
Nasce no coração do coração.
Nós repudiamos
A poesia de óculos escuros
A poesia de capa e espada
A poesia de chapéu abanado.
Propiciamos a mudança
A poesia a olho nu
A poesia a peito aberto
A cabeça de cabeça descoberta.
Não acreditamos em ninfas nem tritões.
A poesia tem que ser assim:
Uma garota rodeada de espigas
Ou não ser absolutamente nada.
Porém, no plano político
Eles, nossos avós imediatos,
Nossos bons avós imediatos!
Refrataram e se dispersaram
Ao passarem pelo priema do cristal.
Uns poucos se tornaram comunistas
Não sei se foram realmente.
Suponhamos que foram comunistas,
O que eu sei é o seguinte:
Que não foram poetas populares,
Foram uns reverendos poetas burgueses.
Devemos dizer as coisas como são:
Somente um ou outro
Soube chegar ao coração do povo.
Sempre que puderam
Declararam de palavra e de peito
Contra a poesia dirigida
Contra a poesia do presente
Contra a poesia proletária.
Aceitemos que foram comunistas
Mas a poesia foi um fracasso
Surrealismo de segunda mão
Decadentismo de terceira mão,
Tábuas velhas devolvidas pelo mar.
Poesia adjectiva
Poesia nasal e gutural
Poesia arbitrária
Poesia copiada dos livros
Poesia calcada
Na revolução da palavra
Em circunstâncias de poder fundar-se
Na revolução das ideias.
Poesia do círculo vicioso
Para meia dúzia de eleitos:
‘Liberdade absoluta de expressão!’
Hoje nos persignamos perguntando
Para que escreviam essas coisas
Para assustar ao pequeno burguês?
Tempo miseravelmente perdido!
O pequeno burguês não reage
Senão quando se trata do estômago.
Como vão assustá-lo com poesias?!
A situação é a seguinte:
Enquanto eles estavam
Por uma poesia do crepúsculo
Por uma poesia da noite
Nós propugnamos
A poesia do amanhecer.
Esta é a nossa mensagem.
Os resplendores da poesia
Devem chegar a todos por igual
A poesia chega para todos.
Nada mais, companheiros
Nós condenamos
- E o digo com respeito…-
A poesia do pequeno deus
A poesia da vaca sagrada
A poesia do touro furioso.
Contra a poesia das nuvens
Nós contrapomos
A poesia da terra firme
- Cabeça fria, coração ardente
Somos pés-no-chão decididos…
Contra poesia de café
A poesia da natureza
Contra a poesia de salão
A poesia de protesto social.
Os poetas desceram do Olimpo."
Nicanor Parra in “Ex-traídos de Outros Poemas (1950-1968)” trad de António Miranda
12/12/2011
E foi mais ou menos assim...
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| XVIII Edição do Mercado Negro na Escola Profissional e Artística Árvore |
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Não tenho vida para livros...
08/12/2011
Lançamento da Revista Piolho - Número 7
O lançamento da Revista Piolho 7, ocorrerá no próximo Sábado (dia 10) por volta das 17h00 horas.
Local: no Mercado Negro, Passeio das Virtudes, 14, Escola Profissional e Artística Árvore
PIOLHO Revista de Poesia (na Pluralcores tipografia)
«O crítico enquanto artista falhado é uma figura
vulgar» Spephen Vizinczey
Rodrigo Miragaia (ilustrações), Carlos Nogueira, Rui Azevedo Ribeiro, Francisco Félix, Sylvia Beirute, Sílvia C. Silva, Maria Conceição Caleiro, Pedro S. Martins, A. Pedro Ribeiro, Ricardo Marques, Amândio Reis, Rui Tinoco, Humberto Rocha, A. Dasilva O., Nuno Brito, Pedro Jofre, Fernando Esteves Pinto, Hugo Pinto Santos, Renée Brock, Henrique Manuel Bento Fialho, Sérgio Almeida e António S. Oliveira
fazem mais ou menos por esta desordem este número, o Sétimo. Novembro 2011.
Coordenado por Sílvia C. Silva, Meireles de Pinho (capa e arranjo gráfico), Fernando Guerreiro e A. Dasilva O.
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